quinta-feira, 31 de outubro de 2013

"happy person with happy buddy" (30-10-2013)

(30-10-2013)
Boa noite!!!
Mais um dia que me mostrou que fiz mesmo bem em vir para aqui e que me deixou mesmo feliz!

Hoje de manhã preparámo-nos à pressa para ir para a escola, onde ia ter a primeira aula com uma turma diferente. Em vez de subir os dois pisos a que estou acostumada, fiquei pelo primeiro onde fica o laboratório. Cheguei e já estavam todos sentados, pelo que fiquei um bocado à toa. Sentei-me na última fila sozinha, mas a Arianna (que eu já conheço) veio para o meu lado. Durante a aula estivemos a estudar planetas, estrelas e meteoritos, um bela seca, portanto.
Depois desta aula fui para a minha turma, onde íamos ter Ciências outra vez, pelo que subi as escadas para nada. Chegámos ao laboratório e a prof disse que hoje a aula era na nossa sala, pelo que tivemos de subir as escadas outra vez. Acabado o desporto matinal começámos a fazer exercícios de química, com moles e assim, mas eu passei a aula toda a fazer os trabalhos de casa de Inglês, dado que a professora vai sempre à mesa confirmar se nós fazemos ou não.
No final da aula de Química o Marco disse-me que não percebia nada daquilo, pelo que passei a aula de Inglês a tentar escrever num papel uma explicação desta matéria de química e com as fórmulas portuguesas, que são claramente mais fáceis. Não sei se assim o ajudo, mas espero que sim, estou a tentar que sim.
Escrevi também um papel com uma mini explicação de trigonometria, que deixei na mesa da Erica, a quem prometi que explicava esta matéria.

No intervalo foi tempo de arrumar as minhas coisas e partir rumo à minha próxima aula: Espanhol com a 4ºQ. Cheguei a uma sala minúscula só com raparigas, que foram muito simpáticas para mim. Arranjaram uma mesa e uma cadeira para mim e fomos lá para fora, aproveitar o intervalo. Estive a falar muito com uma, a Veronica, que foi impecável comigo. Mas infelizmente ela não tem Espanhol, tem Alemão. A turma tem 13 alunos no total, e a Espanhol somos 8.
Voltámos para a sala, o intervalo acabou e chegou a professora. Muito jovem, com um espanhol quase perfeito, esteve-me a fazer perguntas, a que eu respondi em Italiano, dado que desde que estou a aprender esta nova língua não me lembro mais de Espanhol. Ela disse-me que adorava Portugal, que adorava literatura portuguesa (Saramago e Pessoa) e que, quando tivesse tempo para isso, ia começar a aprender português.
Fui para a aula a achar que ia ser uma coisa muito simples, um espanhol de iniciação, mas não podia estar mais errada. Começámos a aula a aprender o pretérito imperfecto do subjuntivo e depois estivemos a fazer exercícios para aplicar os conhecimentos.
Quando a aula acabou, saí da sala com a professora e ela disse-me que a aula de amanhã é com uma professora mesmo espanhola e que também fala português, o que é óptimo.

A aula seguinte foi outra vez numa outra turma, na 3ºI. Cheguei à sala, apresentei-me a duas raparigas, posei as coisas numa mesa e passado 5 segundos estava rodeada pela turma toda que se queria apresentar. Apertei não sei quantas mãos, disse o meu nome não sei quantas vezes, mas não me lembro do nome de nem uma pessoa.
Hoje era aula de Física com a minha professora de Matemática, e estivemos a dar a Teoria da Relatividade de Galileu, que não percebi nadinha.

Quando a escola acabou e fui para o corredor a Anna veio-se despedir de mim, e depois vi a Greta que estava à minha espera. Lá fomos juntas para a corriera e ela disse-me que iam mais dois amigos almoçar lá a casa, porque também estavam interessados em estudar fora.
Na corriera a Greta apresentou-me a um rapaz brasileiro, com quem vim a falar a viagem toda. Ele é de Salvador da Bahia, mas está em Itália há oito anos, e vive em Castelnovo ne Monti, com os pais do segundo marido mãe, que é italiano. Cá faz a Escola de Culinária, que aqui também tem matemática. Ao saber que eu até gostava de matemática, pediu-me para eu o ajudar, dado que não percebe nada.
Viemos a viagem toda a falar da minha experiência aqui, das diferenças entre o português de Portugal e do Brasil, falar de asneiras em Português, "Brasileiro" e em Italiano e de histórias engraçadas que nos aconteceram por não sabermos algumas palavras. Ele contou-me que estava habituado a ouvir as pessoas a dizer "Cazzo in culo" (que à letra corresponde a "pila no rabo") e uma vez disse-o durante uma refeição, sem saber o significado. A Avó tentou explicar-lhe que essas coisas não se diziam, mas ele não percebia porquê, dado que não percebia o seu significado. A avó, depois de se ter chateado a tentar explicar, pegou num papel e numa caneta e desenhou, fácil.
Falámos também do facto dos Italianos fazerem asneiras com Deus, que não se faz em Portugal ou no Brasil, como por exempo: "Dio cane" (Deus cão), "Dio va" (em que "va" se diz em vez de dizer "vaffanculo", que significa "Vai te foder no rabo". Ou seja, a expressão "Dio va" significa "Deus que te vá foder no rabo") e tantas outras que agora que escrevo este relato parecem-me muito piores do que quando as ouço, pelo que não as vou escrever.
Durante a nossa conversa o resto do pessoal no autocarro esteve a tentar perceber o que dizíamos e uma rapariga ainda me veio perguntar de onde era e assim.

Quando chegámos a Casina encontrámo-nos com a Anna e o Matteo (da 3ºP), que vinham connosco para Reggio. Encontrámos também uma colega minha da minha turma normal e uma da minha turma de espanhol e fomos para casa.
O almoço hoje foi pasta com tomates e depois uma fatia de carne. E como sobremesa comemos ananás, que a Anna nunca tinha provado. Durante o almoço a Anna disse-me que tinha muitas dificuldades a Física, e pediu-me para a ajudar, o que faço de bom grado.
Depois de ajudarmos a arrumar tudo partimos rumo a Reggio Emilia com a mãe da Greta. Na viagem falámos da nossa professora de Inglês (que é a mesma) e eles disseram-me que na turma deles lhe chamavam "Bellioutfit", dado que o seu apelido é Belli e que não se sabe vestir.
Chegámos um bocado atrasados e quando cheguei reparei que os da Intercultura estavam todos separados (certamente não por vontade própria) e, passados 5 minutos de eu ter chegado, pediram-nos para nos levantarmos e para nos apresentarmos, primeiro na nossa língua e depois em Italiano.
O resto da reunião nós (eu, a Greta, a Anna e o Matteo) fomos para o lado do Agustin, e eu comecei a mandar mensagens no nosso grupo do whatsapp. Estivemos a jogar um jogo, em que um descrevia pessoas e os outros tinham de adivinhar quem era. Como é óbvio isso conduziu a muita risota, e o Manu reparou. Assim o Cedric recebeu uma mensagem dele a perguntar porque se ria, ao que ele respondeu "Happy meal", fazendo todo o sentido do mundo. Na conversa de grupo a Iris também começou a mandar mensagens do género "happy person with happy buddy", "happy meal for a happy person" e, depois de nós a ignorarmos, mandou "wtf are u saying?", o que fez com que nos ríssemos imenso.

Mal nos vimos livres da reunião saímos (os da Intercultura) e fomos conversar para uma sala. "Conversar". Na verdade estivemos a ver a Iris a brincar com dos minions e a chorar de tanto rir com a cena, porque parecia que ela estava super "high".
Depois a Anita chamou-me porque queria falar comigo, para saber como estavam a correr as coisas e assim. Estivemos um bom bocado a falar e, quando estávamos prontas, já todos tinham ido embora.
A Greta disse que me levava a casa, mas isso implicava fazer com que ela andasse mais 1 hora de carro (dado que ela vive em Casina, a meia hora), pelo que recusei e disse que ia de autocarro. A Anita e a mãe levaram me à estação dos autocarros, onde estava o Agustin à minha espera. Às 17:55 apanhámos o nosso autocarro e lá fomos para as nossas terrinhas. Ele saiu passado 20 min e eu fiquei no autocarro, rodeada de badanti (senhoras que tratam de pessoas com mais idade, que vivem com elas e assim) russas que hoje tiveram tarde livre e vieram para Reggio.

Quando cheguei a Castelnovo vim para casa, arrumei as roupas no meu quarto que estavam um bocado espalhadas e fui jantar: um bife com legumes fritos.
O meu pai perguntou-me se não ia mais ao volley, e eu expliquei-lhes como me sentia mal a ir, porque elas são muito melhores do que eu e, sendo um desporto de equipa, não gosto de prejudicar mais pessoas quando faço um erro.
Depois de jantar fiquei a falar imenso tempo com a minha mãe sobre tudo, enquanto o meu pai e a Anna foram jogar ténis. Comi também um muffin que a Anna fez para vender amanhã na escola, para angariar dinheiro para pagar a viagem a Londres, que estava delicioso.
Ajudei a minha mãe a arrumar a cozinha e vim para o quarto descansar. Publiquei o relato de ontem (dado que ontem a internet não estava a funcionar) e vim escrever este.

Hoje vou dormir sozinha porque a Anna amanhã vai acordar cedo para estudar, às 4h. Antes ela do que eu.
Estou muito feliz com as minhas novas amizades, principalmente com a da Greta. Voltámos a falar pelo whatsapp e ela disse-me que sempre que eu quiser fazer alguma coisa à tarde para falar com ela, e assim combinamos. Estou mesmo contente por tê-la conhecido!

Agora vou tomar um duche e dormir. Boa noite!

P.S.: Para quem diz que os meus posts são demasiado grandes (Margarida Veríssimo), dedico-te este.



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

bolo de maçã? (Fogo, agora reparo que estou sempre a comer!!) (29-10-2013)

(29-10-2013)
Boa noite Tugas!

Hoje foi mais um daqueles dias que me faz querer ficar aqui mais tempo, aqueles dias em que me sinto mesmo feliz com a minha nova vida.

As primeiras duas horas de hoje eram de Educação Física mas, como tinha de ir para Reggio Emilia depois da escola sem tomar banho entretanto, decidi dizer ao professor que não estava muito bem e que não ia fazer aula. Mas, felizmente (ou infelizmente porque podia ter dormido mais), o professor não estava na escola e íamos ter furo. Até que chega o Bertani (o meu professor preferido, o de Artes) e disse que arranjou substituição para o segundo tempo, com a professora de Religião. Bem, a stora estar lá ou não foi exactamente a mesma coisa: cinco colegas meus a jogar monopólio, outros a estudar e eu a ouvir música portuguesa com os fones no máximo, o que soube mesmo bem.
A terceira aula foi Italiano e foi interrogação oral ao Luca e à Erica, pelo que eu estive a descansar o tempo todo.
Quando acordei era intervalo e era tempo de eu arrumar as minhas coisas e meter na sala da Anna, para onde ia no próximo tempo. Fiz isso e depois fui ter com uns amigos meus ao bar da escola (onde vendem pizza, gnocco e assim), o Matteo e a Tamara.
Ao quarto tempo fui para a sala da Anna, onde tive aula de Ciências. A aula teve um momento particularmente engraçado para mim, quando a professora estava a ler um cartaz de uma conferência e, ao deparar-se com palavras inglesas, disse "Peço desculpa à aluna estrangeira" e depois grunhiu algumas palavras numa tentativa de inglês.
A quinta aula foi a que eu mais receei, pois tinha de ir para uma turma onde não conhecia ninguém. Quando bati à porta já estavam a fazer exercícios mas, como era com a minha professora de Matemática e eu já a conhecia, não houve problema. Lá me sentei num lugar livre na última fila e uma rapariga que estava dois lugares ao lado apresentou-se, a Greta. E depois apresentou-se a Camila. Entretanto chegou um rapaz que estava lá fora e que estava sentado ao meu lado, e apresentou-me como Giosef. O rapaz foi muito prestável e fez-me várias perguntas, entre elas se falava italiano, de que terra era em Portugal, se era perto da praia, se me estava a dar bem em Itália e como se diz "Come stai?" em Português, ao que eu respondi "Como estás?" e ele repetiu como realmente nós dizemos "Como extáx?".
No final da aula várias raparigas vieram ter comigo a apresentar-se e a perguntar como estava e assim, e depois a Greta disse-me que vai fazer Intercultura para o ano, na Finlândia. Concluímos assim que amanhã vamos à mesma reunião em Reggio Emilia, e ela ofereceu-se para em dar boleia, em vez de ir de autocarro. E convidou-me para almoçar antes em casa dela, super amorosa.
Descobrimos também que ambas apanhamos o mesmo autocarro depois de almoço (embora ela saia mais cedo e eu vá até ao fim da linha) e fomos juntas depois da escola. Foi a primeira vez que consegui um lugar mal entrei no autocarro. Estivemos a falar um bocado no início, mas entretanto ela tirou o Ipod da mochila e perguntou se queria ouvir música. Bem, passámos cerca de 25min a ouvir Queen, Green Day e Oasis, o que soube mesmo bem.
Quando ela saiu em Casina, eu fiquei a pensar no quão bom tinha sido conhecê-la e no quão me identifico com ela. E passado 5 minutos recebi uma mensagem dela a dizer que eu era uma "ragazza davvero carina" e a perguntar-me se podia ir mesmo almoçar a casa dela.
Vim o resto da viagem a falar com ela por whatsapp, feliz por ter encontrado alguém.

Quando cheguei a Reggio Emilia fui ter ao McDonald's da estação onde estavam  todos à minha espera. Pedi o meu happy meal e lá fomos nós para o centro de imigração ilegal. Hoje éramos só 11 na aula mas tínhamos uma colega nova: a Anastacia da Rússia.
Começámos a aula a fazer exactamente o que fizemos na aula passada e, para tentarmos mostrar ao professor que já tínhamos feito isto, começámos a responder correctamente e em coro a todas as perguntas. Até que ele desconfiou e perguntou se já tínhamos feito.
Começámos então com matéria nova: artigos indefinidos. E verbos: essere (ser), avvere (ter), andare (andar) e fare (fazer). E fizemos um exercício de listening de uma conversa onde faltavam algumas palavras. Depois de completo o diálogo, o professor chamou o Cedric (da Bélgica), o William (da Moldávia) e a Anastacia (da Rússia) para representar. Foram "bravíssimi" e tiveram direito a um aplauso do Minion que recebemos no McDonalds, o que gerou uma onda de riso entre os imaturos da Intercultura. E o professor pediu uma segunda volta: Cedric, Agustin e Eva. Quer dizer, para um professor que está sempre a reclamar que eu me rio demasiado, fez realmente a melhor escolha. Pôr-me a mim e aos meus melhores amigos em Itália a fazer um teatro. O riso começou ainda eu nem tinha saído da cadeira, dado que o Cedric (que não tinha preenchido todos os espaços) pegou na minha folha, e o professor (numa tentativa de esclarecer uma dúvida) pegou nela para ver uma coisa. O motivo de riso foi exactamente esse: o professor estava com a minha folha na mão, a folha onde a Cille esteve a escrever porcaria. Riso e cara vermelha/roxa controlados, começámos o teatro que, em vez de demorar 2 minutos, demorou cerca de 4, devido às nossas longuíssimas pausas de riso e para descobrir qual a nossa fala.
Quando me fui sentar olhei para a Iris, que brincava com o Minion. Tinha o boneco preso ao dedo mindinho e quase chorava de tanto rir, o que é contagioso. E, como eu é que sou a meia nórdica que fica vermelha que nem um tomate, o professor só me chamou a atenção a mim e mudou-me de lugar sozinha para perto dele, enquanto a Iris se ria.

O resto da aula foi passado na seca de gramática sem amigos por perto, que às vezes olhavam para mim e riam-se. Até que o professor pediu para usarmos os livros e descobriu que só os da Intercultura o têm. Aliás, os da Intercultura menos eu. Disse-lhe que não tinha e expliquei-lhe que só estava em Itália para 3 meses, e que voltava dia 1 de Dezembro, ao que ele respondeu "Me dispiace". Dispiace, dispiace, todos nós sabemos o quanto me odeias.
Consequentemente o Agustin teve de se vir sentar ao nosso lado e fizemos grupo com o casal que vivia em Espanha, o Colombiano e a Brasileira.

Quando a aula acabou fui comer o meu segundo hambúrguer, já que não o consegui comer na aula, enquanto consegui comer as batatas fritas, a coca cola e a maçã. E, enquanto voltávamos para a estação de comboios, vinha a falar com o Cedric. E, no meio da conversa, ele disse-me que, como já não tinha nada com a  rapariga de quem gostava, não valia a pena... "O quê?!?!? Vocês já não têm nada?!? Não me disseste!", ao que ele respondeu "Eu disse-te! Na semana passada! Disse-te isso, mas tu não respondeste e continuaste a comer, e depois disseste "Olha que prédios tão feios, mas já estou habituada porque em Portugal há imensos destes"", o que nos fez rir imenso. E ainda melhor foi a representação dele, enquanto repetia a cena da semana passada. Eu, curvada na comida a comer como se não visse comida há 15 dias, a ignorar o que ele dizia e depois a comentar os prédios vizinhos.
Viemos o caminho todo a rir, enquanto ele me contava a verdadeira história.
Quando chegámos à estação a Iris apanhou o tram e foi para casa, porque já eram horas, pelo que ficámos os cinco lá. Eu e o Cedric fomos ao outro lado da estação (à estação das corrieras) para pedir umas informações. Mas para ir para lá sobrevivemos cinco vezes, dado que tivemos de passar no túnel subterrâneo com pior ambiente aqui na zona.
Depois de nos encontrarmos outra vez com todos, decidimos o que fazer. A Cille e a Iris iam beber chocolate quente, o Cedric ia para a escola para ir ter com a mãe, e eu e o Agustin íamos apanhar a corriera para irmos para casa. Chegados à estação já o nosso autocarro estava lá, que entretanto descobrimos que era só meu, dado que era direto e não passava na terra dele. Tive assim de me despedir dele e ir para o autocarro.
Hoje vim o caminho todo a ouvir música portuguesa: Supernada, Ornatos, Homem ao Mar e Linda Martini, o que foi óptimo.

Quando cheguei a Castelnovo fui ao Coop, para comprar mais um Lindt. Por favor, subam o preço daquilo que este já é o meu terceiro.
Em casa fui pôr a mesa, vim para o meu quarto e depois fui jantar. O jantar foi risotto e estava delicioso.
Depois de jantar fiquei com a Anna a arrumar a cozinha (fazemos isto todos os dias) e os meus país saíram. Fizemos ainda uma tarte de maçã meia aldrabada, dado que primeiro estávamos a pensar fazer uma diferente e a meio reparámos que não tínhamos metade dos ingredientes.

Agora estou no quarto a relaxar e vou dormir. Amanhã é outro dia longo.
Deixo-vos com umas fotos da preparação do bolo de maçã e também o papel que eu escrevi aos meus amigos quando estava isolada, acompanhado pelo minion que causou isto tudo.
Boa noite!

P.S.: Aqui os autocarros directos têm paragens, mas só as fazem se lhes apetecer.
P.P.S.: Quando cheguei a Reggio Emilia lembrei-me que não paguei o bilhete da minha viagem de ida.
P.P.P.S.: Durante a aula com a turma da Anna começou a chover de uma maneira incrível. Mas quando digo incrível e mesmo incrível, daquela que ouves tudo na sala de aula. Quando fui para Reggio o céu estava limpo e muito bonito, e agora está a trovejar. Enganei-me e estou a viver nos Açores.
P.P.P.P.S.: Durante a aula de italiano um dos exemplos de personagens foi uma senhora chamada Paola Rota, eheheheh. Rota.






segunda-feira, 28 de outubro de 2013

bolo da caneca?

Boa noite!!

Hoje de manhã, embora tivesse o despertador para as 6h45 com a intenção de estudar um bocado, só acordei às 7h20. Por isso a manhã foi uma meia correria para chegar a tempo.
A minha primeira aula hoje foi Italiano ou Latim, durante a qual estive a escrever um texto de apresentação em Italiano para entregar ao professor. Na segunda aula "fizemos uma assembleia de turma". Isto é, estivemos 1h sozinhos na sala e supostamente devíamos discutir assuntos de turma.
A aula seguinte foi Física, teste. Apesar de a "verifica" me parecer muito curta, acabei por não ter tempo de responder à segunda parte da última pergunta. De resto correu bem, e estou mesmo enervada por não ter respondido pois era uma resposta muita fácil e super rápida de dar.

Depois de Física veio a aula de Inglês, em que fomos para o laboratório linguístico. Eu estive sentada com a Sara e estivemos a comentar a roupa da professora, que me fez logo lembrar a Margarida, porque seria uma pessoa com quem eu falaria sobre isto. Vou tentar passar-vos a imagem: uma senhora nos seus 45 anos, com collants pretas opacas, botas de cabedal pretas até ao início do joelho e com salto de cunha, uma saia tipo balão de bombazine verde tropa, um casaco de malha rosa velho com laços nos bolsos e uma camisola de gola alta cinzenta por baixo do casaco. E melhor, unhas das mãos cor de rosa choque.
Eu falei com a Sara sobre isto e ela, a rir-se, mostrou-me uma mensagem que o Marco lhe tinha enviado, exactamente a falar sobre isso.
Durante a aula de Inglês estivemos a estudar sonetos de Shakespeare e de Petrarca, e a interpretá-los.

A seguir a Física veio Matemática, e com Matemática veio "Gonometria". Que não é "Trigonometria". Aqui começamos por gonometria, que é o estudo dos ângulos, e só depois passamos para o estudo dos triângulos, a que chamam trigonometria. A verdade é que esta forma original de dar a matéria faz com que ninguém perceba a matéria e eu, que já a sabia, saia a saber menos.

Quando Matemática acabou, acabou também o dia de aulas, e vim para casa sozinha, dado que a Anna tinha saído mais cedo. Hoje o almoço foi outra vez aquela pasta com um tubo no meio, que é deliciosa. Depois de almoço estive um bocado na cozinha com os meus pais, ajudei a minha mãe a arrumar tudo e vim para o quarto, onde a Anna estava a dormir. Fui ao Wareztuga e, para meu espanto e minha alegria, o episódio de Walking Dead já estava lá. Estive a ver a série e, quando acabei, fui ter com a Virgi e a Anna à biblioteca, para estudar. Pouco depois juntou-se a Benny e estivemos a estudar durante umas horinhas. "Estivemos", porque elas tiveram de me acordar para irmos embora. Não que eu não estivesse empenhada, mas não tinha nada para estudar. Fiz o último exercício do teste de Física (só para garantir a mim própria que o conseguia fazer), fiz os trabalhos de casa de Matemática e estive a fazer exercícios de Química, que são super agradáveis de se fazer.

Chegadas a casa fui ver um episódio de Scandal, para meter tudo em dia. Passado pouco tempo fui jantar com a Anna, porque os nossos pais iam jantar fora. Comemos peixe e uvas à sobremesa (ainda não houve uma única refeição em casa em que eu não tenha comido uvas. Já comi mais uvas do que pasta, e é maravilhoso!). 
Depois de jantar a minha mãe veio-me oferecer uma pulseira italiana que comprou para mim e para a Anna, super amorosa. Estive também a ajudá-la a cortar as castanhas e estive a enfardar nozes, enquanto falava com ela.

Por volta das 20h15 os meus pais foram-se embora e com eles foi a Anna, que foi para o ginásio, pelo que fiquei sozinha em casa. Primeiro fui comer as castanhas que tinham sobrado e depois fui ver um episódio de Breaking Bad. Entretanto deu-me uma fome enorme e meti os meus skills de cozinha e fui fazer um bolo de caneca. É incrível como das cerca de 10/15 vezes que já fiz isto nunca soube bem, mas continuo a fazer.
Fiz também uma chamada skype rápida com a minha família só para falar um bocado.

Agora vou tomar banho e dormir, que amanhã é outro longo dia: começo com educação física, vou para duas turmas novas, vou direta para Reggio Emilia, tenho aula de Italiano e depois apanho a corriera para voltar. O bom é que posso dormir no autocarro, se encontrar lugar.

Para quem tem perguntado como está o tempo aqui passo a explicar: hoje de manhã o céu estava descoberto e não estava frio nenhum, mas quando voltámos da biblioteca estava um gelo impossível. No entanto, os meus pais, que voltaram agora da Sicilia, apanharam 27ºC e fizeram praia.
Vim a saber que houve aqui um terramoto no outro dia com magnitude de 3.1, mas nem notei.
Beijo a todos!



domingo, 27 de outubro de 2013

Rest day

Boas!
Hoje foi o dia mais normal e calmo que já tive desde que cheguei a Itália. Não me estou a queixar, porque às vezes sabe bem parar um bocado e descansar.

Hoje dormi sozinha no quarto, porque elas as três quando chegaram foram dormir para o quarto da Anna, para não me acordar. É estranho, estou em Itália há 50 dias e esta foi a segunda noite que dormi sozinha.
De manhã, por volta das 11h30, a Virgi veio-me acordar para tomarmos o pequeno almoço. Comemos todas juntas e, depois de arrumarmos a cozinha e o quarto, a Benny e a Virgi foram-se embora.
Acabámos por não ir servir à mesa no tal almoço e, como tomámos o pequeno almoço relativamente tarde, não almoçámos.
A Iris convidou-me para a festa de anos dela ontem à noite mas eu disse que não podia ir, porque tinha o tal almoço e que estudar física. Mas hoje, depois da hora de almoço e de não termos ido servir, descobri que o que sai para o teste amanhã é simplesmente a primeira e a segunda lei da termodinâmica. Vou ter um teste com 3/4 páginas de matéria, basicamente. E tirei uma tarde para estudar para ele. Visto que não precisava da tarde toda, fui ver os horários do autocarro para ir para Reggio, para ir para a festa, mas hoje, como é domingo, só há autocarro à 13h00 ou às 17h30. E era 13h10. Pois é, por 10 minutos que perdi o autocarro que me levaria a uma festa onde estariam os meus melhores amigos em Itália, embora não sejam italianos.

Fiquei então de pijama em casa o dia todo, a molengar. Primeiro estive a estudar um bocado física, mas em pouco tempo fartei-me e fui comer castanhas para a cozinha com a Anna, o Tommaso e um amigo dele. Depois disso fui ver um episódio de Scandal, que nunca mais me lembrei que já tinha começado. Estive a pesquisar mais umas coisas sobre a viagem de finalistas e depois fui jantar. Hoje o jantar foi restos de tudo, mas estava óptimo. Metemos ovo no risotto e depois fritámos pequenos bocados. Ovo? Eu? Também hesitei um bocado, mas estava delicioso. Não sabia nada a ovo e quase que sabia aos petiscos portugueses, às croquetes, bolos de bacalhau e assim.

Depois do jantar voltei para o meu quarto, onde estive a cuscar o facebook enquanto ouvia música. Depois de escrever esta entrada vou retomar o estudo e depois dormir.
Boa noite!


P.S.: Estou com voz de bagaço. É inevitável, o tempo muda e eu fico assim.

sábado, 26 de outubro de 2013

Eremo di Bismantova 0.35min

Boa noite!!

Ontem, antes de adormecer, ainda tentei fazer uma video-chamada no skype com o pessoal do ballet, que estava a dar uma festa surpresa à Joana. No entanto a Internet deles estava muito fraca e não conseguimos fazer uma única chamada de jeito, pelo que decidiram ligar-me para o telemóvel italiano e passar muito rápido por todos, que me mandaram um beijinho. Foi bom ouvi-los, e também ver que estavam todos juntos. A minha turma de ballet em tempos foi um grupo super unido, quase como uma família, mas (infelizmente) nos últimos 2 anos afastámo-nos muito uns dos outros, pelo que foi maravilhoso ver a foto deles quase todos juntos na festa!

Depois da chamada tentei estudar um bocadinho, mas sem efeito. Estivemos a preparar as duas camas suplentes para a Benny e para a Virgi, fui tomar banho e vim para a cama.

Hoje de manhã acordei às 5h30 com o meu despertador, para estudar. Sim, "estudar". Enquanto a Benny e a Anna foram para a cozinha estudar, eu fiquei no quarto a fazer exercícios de exponenciais e logaritmos à luz do telemóvel, para não acordar a Virginia.
Fui um bocadinho ao facebook e recebi logo uma mensagem do meu monitor preferido, do Ruca. Mandou-me uma mensagem muito querida (ou nada) a dizer-me para ir para a cama, dado que tinha aulas ao sábado e tinha de dormir. Mal sabia ele que eu já tinha tido a minha noite de sono e estava acordada para ir para a escola. Também preferia não saber.

Tomámos o pequeno almoço em casa todas juntas e lá fomos para a escola, desta vez de carro porque uma amiga veio-nos buscar. Quando chegámos elas ficaram a falar no parque de estacionamento, mas eu apanhei boleia da Lucia porque ambas estávamos com pressa para a aula, dado que tínhamos "verifica" à primeira hora.

Desta vez na aula de Matemática a fazer o teste não fiquei em frente à professora, para não me sentir assim tão pressionada. E desta vez tive um teste especial para mim, mais fácil. "Fácil". Preciso de ter 42 pontos para ter positiva, um 6. Não sei o que vai sair dali, mas do outro saiu cerca de um 2 (não sei o valor certo porque a professora não deu nota).
Quando acabaram as duas horas de teste de Matemática veio Italiano, para descansar um bocadinho. Estive a aula toda a escrever uma composição em italiano, dado que não percebo nada da aula.
Depois de Italiano veio Física onde estivemos a fazer alguns exercícios de preparação para o teste de segunda feira, que só hoje soube que ia ter. No tempo final da aula estive a fazer os trabalhos de casa de química com o Matteo, a Ines, a Nicole, a Tamara, a Martina e o Marco, e a ajudar um bocado, dado que estou segura naquela matéria.
Na aula de Química, enquanto a professora levava meia hora a explicar cada exercício, eu e o Matteo estivemos a fazer outros tantos, e eu ajudava-o quando ele não percebia. Soube muito bem, porque foi a primeira vez que não me senti burra desde que cheguei. Entretanto a professora começou com uma conversa que supostamente é única, mas que repete todas as aulas. De como somos uma turma especial, que não vê falsidade nas pessoas e que são todas muito genuínas. Até que alguém interrompeu a conversa ao bater à porta: uma visita de 5 alunos antigos. A professora esteve a falar um bocado com eles e retomámos os exercícios mas entretanto a aula também acabou e fomo-nos embora.

À hora de almoço a Niccole e a Tamara vieram comigo para a paragem de autocarro, onde a Anna e a Virginia me esperavam para irmos para casa de boleia com a Arianna e o namorado. Em casa fomos almoçar: pasta com molho do género de bolonhesa que a nossa mãe nos preparou antes de ir. A meio do almoço chegou o Tommi que depois se juntou a nós.
Depois de almoço elas foram todas vestir o pijama e foram ver o X Factor e dormir um bocado, mas eu tive uma tarde muito mais preenchida. Hoje o Agustin veio finalmente visitar-me a Castelnovo e chegou logo depois de almoço, pelo que tive de o ir buscar. Depois começámos a andar supostamente em direção à Pietra di Bismantova, mas entretanto ele perguntou a uma senhora se aquele era o caminho certo e ela disse que não, pelo que tivemos de voltar tudo atrás.
Uma vez no caminho certo, morremos de cansaço. Este é dos caminhos mais cansativos que conheço e ponderámos desistir de 5 em 5 min, mas eu insisti e lá chegámos ao topo da Pietra. Uma vez lá em cima ficámos mesmo orgulhosos por termos ido em frente, porque as vistas compensam qualquer coisa. Descansámos um bocado no topo (mal cheguei a primeira coisa que fiz foi deitar-me no chão) e tirámos a fotografia que nos levou até lá. Pois é, esta subida ao topo da Pietra foi feita com o objectivo do Agustin tirar uma foto para mandar para um concurso fotográfico da Intercultura "Como vês Itália?".
Entretanto tivemos de descer porque o autocarro do Agustin era às 18h30 e só subir a Pietra eram cerca de 2h, e ainda tínhamos de a descer todinha. A descida também foi muito engraçada porque, como é normal desta altura do ano, o chão estava cheio de folhas caídas e super húmido, pelo que sofremos várias ameaças de queda. Isto até uma se tornar verdadeira e o Agustin dar comigo de rabo no chão, a rir-me que nem uma perdida.

Quando chegámos a Castelnovo ainda tínhamos tempo, pelo que fomos comer um gelado à gelataria de Bismantova. E depois disso ainda fomos a outro café para ele comer uma sandes. Mas entretanto as 18h30 aproximavam-se e fomos para a paragem. Tivemos uma conversa em que deu para reparar numa grande diferença entre a vida na Europa e na Argentina: a mudança de hora. Porque hoje à noite a hora muda e o Agus não sabe como é que isso funciona, já que vive no Hemisfério Sul e lá não se faz disso.
Quando ele se foi embora fui ao Coop comprar pasta de dentes, escova de dentes e fio dental, e também papel higiénico cá para casa, dado que já não temos há cerca de 2 dias.

Voltei para casa, tomei um duche e depois fui ter com a Benny, a Virginia, a Anna e o Maio ao Magnani onde jantámos no apperitivo. Depois disto viemos para casa, para elas mudarem de roupa. Enquanto faziam isso e se maquilhavam, eu fiquei a cuscar um pouco do facebook e a começar a escrever esta entrada.
Às 22h voltámos ao Magnani onde conhecemos o Yannick, um canadiano. É um rapaz de 19 anos que deixou o Canadá dia 7 de Setembro com 3 amigos e veio para a Europa. Entretanto já se separou dos amigos e anda sozinho e já andou pela Alemanha, Inglaterra, Holanda, Bélgica, França, República Checa e tantos outros. Agora está aqui em Castelnovo em casa da Arianna, dado que a mãe dele a conhecia desde o tempo em que ela foi para o Canadá com a AFS, mas nos outros países fez couch surfing, ficou a dormir em hosteis e também em casas/quintas onde podia ficar alojado se ajudasse nas tarefas domésticas.

Entretanto começou-me uma dor enorme na perna e eu não aguentava em pé, pelo que disse à Anna que vinha para casa para descansar e aqui estou, enquanto elas estão a sair à noite. Quando vim aproveitei também para falar um bocado ao telemóvel com a Sofia Lopes, que está a fazer o trimestral em Genova. Foi tão bom ouvir a voz dela, tenho tantas saudades!
Amanhã ao 12h vou voltar a servir à mesa naquele restaurante, desta vez num almoço para pessoas com deficiências. E à tarde tenho de estudar Física, para não ter uma nota vergonhosa no teste.
Boa noite!

P.S.: Não consigo tirar esta música da minha cabeça (http://www.youtube.com/watch?v=P_WyB1Yunqw) porque era o despertador de hoje de manhã da Anna, que tocou cerca de 4 vezes.

P.P.S.: Hoje eu e o Agustin descobrimos (graças ao Cedric) que a Iris amanhã vai fazer uma festa de anos e não nos convidou aos dois. Depois de imensas conversas viemos a saber que ela estava chateada connosco porque estávamos sempre a fazer piadas sobre o facto de ser asiática, e a chamar-lhe chinesa embora ela seja de Hong Kong.
Da forma como as coisas estavam a correr de manhã eu cheguei à conclusão que ela não gostava de mim, e isso deixou-me muito mal porque eu gosto dela. Não pensei noutra coisa durante o teste.
Mas felizmente tive agora uma conversa mais longa com ela e ela disse que, quando eu faço essas piadas, ela acha que não gosto dela e que por isso se afasta de mim. Já esclarecemos tudo e vamos trabalhar nesta relação até eu me ir embora, o que me parece muito bem.
Estou feliz por ter resolvido isto assim. Isto de fazer uma experiência AFS é mesmo uma vida nova.







sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Bolo de iogurte?

Mais um dia, mais um relato.

Hoje de manhã quando acordei já os meus pais tinham ido embora, rumo a Sicília. Pois é, fugiram um fim-de-semana para o calor da ilha enquanto aqui na montanha chegam as nuvens e a chuva, embora tenha estado mais quente.

A minha primeira aula foi Física, onde estivemos a fazer exercícios. E a meio da aula o professor veio falar comigo, como vem sempre. No entanto desta vez, enquanto perguntava como estava e assim, não me dava palmadinhas nas costas mas dava-me a mão, o que foi bastante estranho.
Depois veio uma aula de Latim, em que eu voltei a não ouvir nada. Não só por não perceber Latim, mas por não me interessar muito. Mas a meio da aula o professor chamou-me, e perguntou-me se tinha estudado Latim em Portugal, ao que eu respondi que não. Ele, chocado, disse que não percebia porquê, dado que o Português deriva do Latim e que para perceber a origem da nossa língua e assim devíamos estudá-lo. No entanto a minha turma apoiava o sistema Português, e dizia que não vale a pena estudar Latim num curso Científico, e que também preferia. 
O professor também me perguntou se eu já conseguia escrever em Italiano e que, se eu quisesse, podia escrever alguns textos e entregar-lhe, que ele corrigia. Vou aproveitar a oportunidade, até porque assim tenho algo para fazer durante as aulas de Latim e Italiano, que são demasiado difíceis para mim.
A seguir veio a aula de Religião, em que estivemos a fazer não sei bem o quê com os jornais, mas falámos da rapariga cigana cujos pais eram procurados, a Maria. Falámos também de uma rapariga qualquer de Modena que foi violada, pelo que eu percebi.

Chegou o intervalo. E isso significa fazer exactamente o que fazes durante as aulas, mas com o telemóvel mais à mostra. Mas como tudo o que é bom acaba depressa, a campainha tocou. E a acompanhar esse toque veio a minha professora de Ciências, a Croci. Na aula estivemos a fazer exercícios sobre moles e número de Avogadro, ou seja, o que o Hugo está agora a fazer no 10º ano.
Depois de Química veio Inglês, mas mais valia não ter vindo. Passámos a aula a falar do Renascimento Inglês, que é um tema que não é o meu forte, nem do meu interesse. No entanto estive com atenção, com medo que isto saia na próxima verifica.

Quando a escola acabou fui com a Anna para casa, para almoçar. Comemos frango que restou de ontem e legumes fritos, que é habitual cá em casa e é delicioso. Depois de almoço, estivemos a fazer um bolo seguindo uma receita da revista que a minha mãe portuguesa me enviou, bolo de iogurte. E por pouco que não estragámos tudo, pois a Anna esteve quase quase a meter azeite lá dentro, dado que "óleo" para eles é o nosso azeite. No entanto eu reparei a tempo e não se desperdiçou comida, excepto o ovo que caiu logo no início. 
Entretanto a Anna foi-se embora pois tinha catequese e depois ia para a biblioteca estudar, enquanto eu fiquei eu casa, supostamente para estudar. Acabei foi por fazer uma chamada no skype com a Margarida que durou 3h, enquanto limpava e arrumava a cozinha. O bolo acabou meio queimado, mas está bom. Não sabe é a iogurte, por isso não sei o que correu mal.

Depois da chamada com a Margarida vim para o meu quarto ver se estudava um bocadinho, mas comecei a cuscar mais o Facebook e blogs. Felizmente a Catarina da minha turma enviou-me um site com explicações de matemática, onde posso estudar exponenciais e logaritmos, dado que tenho teste amanhã e não percebo nadinha. Comecei a ver um dos vídeos e até estava a perceber, mas chegou a Anna e a Virginia para jantar e então tive de desistir durante um bocadinho. 
O jantar hoje foi piadinas, e eu comi uma com atum e alface, para não comer de tomate, dado que me faz mal à pele. Depois de jantar elas foram para um encontro de jovens da paróquia, mas eu não pude ir, dado que tinha de estudar.
A verdade é que aqui estou, sentada no meio dos livros de Matemática, a ver o tempo passar e sem ter feito grande coisa. Pois é, acho que estou um bocado lixada. Mas só um bocado. 

Amanhã o Agustin vem cá depois da escola e vamos tentar tirar uma foto para o concurso fotográfico da AFS, para ver se ganhamos. Ele, dado que o prémio é um curso fotográfico quando eu já não estiver cá. Quando penso que já só tenho um mês com eles deprimo, mas a verdade é que agora vou estar com eles duas vezes por semana (nas aulas de italiano), o que é óptimo. E o Cedric posso visitar mais facilmente (ou ele a mim), dado que é da Bélgica. Raio dos outros não-europeus. Vou ter saudades deles.

Vou ver se estudo e se durmo um bocado, se conseguir. Hoje a Virginia vem cá dormir e elas querem-se baldar à primeira hora. Que raiva, a minha é teste e por isso não posso faltar. Ou posso, logo se vê.
Boa noite!

P.S.: Acabei de ir à cozinha para ir buscar a máquina fotográfica e encontrei a mala da Benny no chão. Pelos vistos hoje à noite vai haver festa aqui em casa. 

P.P.S.: Parabéns Joana! Quando conseguir envio-te uma foto do meu professor de Italiano!

P.P.P.S.: Cheguei às 10.000 visualizações!! E a Filipa foi a 10.000ª!








"Mas a quanto tempo de Istambul?" (24-10-2013)

Boa noite!
Mais um dia enorme e cansativo, mas que valeu a pena.
Hoje de manhã a Anna acordou cedo para estudar Matemática, e eu acordei com ela para tomar um duche para ver se acordava e não dormia nas aulas.

A primeira aula foi Matemática e a stora veio-me dizer que sábado também faço teste mas um diferente e mais simples, com logaritmos e exponenciais, mas que desta vez vai dar nota. Oops.
Depois vieram duas horas de Italiano, que são sempre qualquer coisa. Na primeira foi avaliação oral à Martina e ao Marco, e eu estive a planear mais da minha viagem de finalistas.
Quando a interrogação acabou tivemos 1 hora de Italiano, em que estivemos a falar de Galileu Galilei mas não sei bem porquê.

No intervalo estive na sala a descansar e a comer bolachas, na companhia do Matteo.
Depois veio a aula de Filosofia, que é um dos meus momentos preferidos da semana. Quer dizer, o que é melhor do que uma aula de duas horas em que o stor se limita a estar sentado na secretária enquanto lê o manual sempre com o mesmo tom?
E depois de Filosofia seguiu-se uma aula de História exactamente igual (dado que é o mesmo professor), que eu só soube diferenciar porque vi o professor a mudar de livros e ouvi "portugueses", "espanhóis" e "américa".
Durante esta aula a minha tutora escolar foi à sala para entregar o meu horário novo, que começo a seguir para a semana. É triste receber esta notícia depois de saber que o meu professor de Filosofia e História vai faltar até meio de Novembro e não vai haver substituições, isto é, toda a minha turma vai ter menos 5 horas de aulas por semana enquanto eu vou estar a ter outras disciplinas com outras turmas. Que raios.

Quando a aula acabou fui directa para a paragem de autocarros, onde apanhei um para Reggio Emilia. Voltou a estar cheio e fui 30 min em pé num autocarro que andava pelas curvas das montanhas italianas, uma diversão.

Cheguei ao ponto de encontro que o Manu tinha marcado com todos os AFS'ers de Reggio e era a primeira. Pois é, a rapariga que vem das montanhas e que tem de apanhar um autocarro de uma hora é a primeira a chegar, enquanto os animais que tiveram uma hora e meia para almoçar andavam a passear.
Aproveitei o tempo e fui ao McDonald's almoçar, um happy meal e um hambúrguer sem menu, que aqui é mais barato do que o Europoupança (0,90 €). Entretanto o Manu juntou-se a mim, e depois o Cedric. Acabei de comer o primeiro hambúrguer e fomos para a escola de Italiano. Bem, foi das viagens mais perigosas da minha vida, e estou feliz por estar viva e a escrever este relato. Pois é, a maravilhosa Intercultura arranjou-nos um óptimo sítio para estudar Italiano, numa rua conhecida como a "China Town" ou o "Ghetto" de Reggio Emilia, e onde não se deve parar para falar com ninguém, porque pode correr menos bem.
Chegados ao edifício onde era a escola de Italiano, entrámos no elevador (que estávamos mesmo a ver que ia parar a meio do caminho) e subimos para o 3º andar. As portas abriram e ainda ficámos meio confusos, não sabíamos se era de facto uma escola de Italiano ou um centro de apoio a imigrantes ilegais, mas o Manu confirmou que era o nosso destino.
Quando entrámos na sala de aula não nos espantámos quando nos deparámos com cerca de 7 chineses numa turma de 17 pessoas, já estamos habituados. Passo a explicar-vos como é a turma: cerca de 7 chineses que estão cá há 2 anos com as famílias e que não falam nadinha de Italiano, 1 alemã que está em Itália num programa como o nosso, 1 moldavo que fala tanto italiano como um paraplégico corre, nós os 6 da Intercultura e um casal de noivos meio estranho, composto por um rapaz colombiano de 17 anos e uma rapariga brasileira de 20 anos, mas que vivem em Salamanca desde sempre. E o grande professor Luciano, que não vou criticar porque é bem giro. E também porque chama "japonesa" à Iris, embora ela seja de Hong Kong, o que nos faz rir imenso.

A aula foi toda passada a fazer coisas super fáceis, e eu e o Agustin sentíamo-nos como se estivessemos na pré-primária, enquanto a Cille e o Cedric até estavam a achar aquilo bastante difícil. Fiquei entre a Serra e a Cille (com todos os da intercultura por perto), pelo que era impossível não rir com a mínima coisa. O problema é que, sempre que o professor reparava que nos ríamos, perguntava a razão. E é tão difícil explicar que nós podemos ter o maior ataque de riso sem termos um único motivo!

Depois de fazermos um bocado de gramática, juntámo-nos em grupos feitos pelo professor (eu fiquei com a Iris e o Christian, o colombiano) com quem tivemos de ter uma conversa sobre um texto que o professor leu. E depois tivemos de responder a umas perguntas que ele fez sobre o texto, que mais básicas não podiam ser.
Quando acabámos a actividade em grupos ele pediu as apresentações dos alunos (há que deixar isto para último), mas não tivemos tempo de fazer todos. Esteve muito interessado em todos mas, na vez da nossa amiga turca Serra, não ouviu uma única palavra. Pudera, era ela a falar de como era de Istambul mas da parte asiática e ele a mexer no telemóvel. Quando a Serra acabou de falar ele virou-se para ela e perguntou "De onde és?" e ela "Da parte asiática!!", ao que ele respondeu "Mas a quanto tempo de Istambul?" e ela "É em Istambul!" e ele "Não, não, o nome da tua cidade!" e ela "Istambul!", ao que ele respondeu com uma cara muito admirada "A sério?", embora soubesse desde o início da aula que ela era de Istambul e até respondeu que nunca lá foi mas que lhe disseram que era uma cidade muito bonita. E mais uma confusão quando ele perguntou quantos habitantes tinha Istambul, pois não acreditava nos 8 milhões que a Serra disse.

Entretanto a escola acabou e atravessámos outra vez a China Town onde encontrámos alguns colegas. Primeiro encontrámos o casal e o Christian apresentou-me a Rafaela, que fala português do Brasil. E depois encontrámos a Lulu e a ShinShin, que estavam no cabeleireiro da família de uma delas. Ou das duas, até podem ser irmãs. Por acaso até são parecidas, mas isso também não diz nada, dado que são chinesas.

A caminho da biblioteca vim o tempo todo a falar com o Cedric sobre a experiência e os sentimentos que temos sentido ultimamente, dado que ele teve uma semana má. Apesar de parecer que isto aqui é tudo festa, não é assim tão fácil. E embora toda a gente seja simpática contigo na escola, deixa-te um bocado triste chegar a tarde e não teres ninguém a convidar-te para fazer algo. Como a Maria me respondeu quando eu lhe disse que queria ficar um ano: "Isto é tudo muito bonito e estou a adorar a experiência, mas não aguento mais de 3 meses sem amigos".

Quando chegámos à biblioteca lá estava o Manu, que nos deu boleia por turnos para irmos para a igreja, onde íamos ter encontro. Enquanto o Manu levava a primeira ronda para lá eu, a Iris e o Agustin tivemos a belíssima oportunidade de ver um monstrocão, isto é, um cão minúsculo e que tinha uma pata com o triplo da largura e verde. Nada nojento.

Na igreja estivemos a fazer o segundo encontro mensal, com a Elena (responsável de acolhimento) e os assistentes (menos a Anita, que estava a trabalhar). Estivemos a falar sobre o campo do Cesenático, das aulas de italiano e sobre os nossos objectivos para Novembro. Estivemos também a falar das atividades depois de Dezembro, um tema que me consegue pôr sempre triste.

Saí do encontro meia à pressa, porque tinha um autocarro (o último do dia) para apanhar, e não tinha visto os horários.Felizmente a minha suposição estava certa e adivinhei mais ou menos a hora a que passava. Estive à conversa com o Agustin até o autocarro chegar e depois parti rumo às montanhas, enquanto ele estava na "fermata" (paragem) à espera do dele.

Quando cheguei a Castelnovo o meu pai veio-me buscar e viemos para casa jantar. O primeiro prato foi sopa de abóbora com castanhas (estranho mas bom!) e o segundo frango com tomates. E como sobremesa lá veio mais uma dose de castanhas, que para mim nunca vem a mais.
Depois do jantar vim para o quarto publicar o post de ontem, cuscar um bocadinho do facebook, pesquisar preços para a minha viagem de finalistas e escrever este post, para ir dormir relativamente cedo (00:35, pelo menos não são 2h).

Vou dormir que amanhã é dia de aulas, beijos a todos!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

"Cá chegou direitinha a encomenda" (23-10-2013)

(23-10-2013)
Boa noite!

Mais um dia passou desde que cheguei a Itália. Hoje foi o meu 47º dia nesta nova vida, mas às vezes continuo meia perdida. E o campo de Roma parece que foi há uma semana!

Hoje acordámos demasiado tarde pelo que de manhã foi uma correria, mas chegámos a tempo. 
A primeira aula hoje foi História, durante a qual estive a fazer os trabalhos de casa de Inglês com o Marco, que hoje estava sentado ao meu lado porque a Niccole não estava. A aula a seguir foi Ciências, onde estivemos a aprender a mole, o número de Avogrado e as contas relacionadas com isso. E depois veio Inglês, em que estivemos a corrigir os tpcs e a fazer mais exercícios, que eu e o Marco não tivemos de fazer porque ele já tinha tudo feito.
No intervalo fui com o Matteo ao corredor para comprar um chocolate quente, que por acaso não era nada mau para um chocolate quente de máquina. No final estive a ensinar mais algumas coisas em Português ao Matteo, Ines, Tamara, Martina e Marco, que dizem sempre que nós, portugueses, dizemos muito os "s" como "x". Por acaso nunca tinha reparado, mas quando um "s" está no final da palavra nós dizemos como "x", é verdade. Bananas, morangos, maçãs. Casacos, malhas. Queres. Português. E começaram se todos a rir quando souberam que "vuoi" se diz "queres" e que "mela" e "maçã". E ainda disseram que parecia árabe. E, quando chegou o professor de Arte, a Ines ainda disse "É um cabrão de merda", no seu melhor Português.
Chegou o professor de Arte chegou o sono. Mas, felizmente, passaram o início da aula a ver um filme sobre restauro de obras antigas, enquanto eu e o Marco fizemos uma bela sestinha. Por outro lado, quando acabou tivemos de meter a nossa veia artística a trabalhar, e desenhar uma capela e não sei mais o quê. Pois é, vou sair de Itália uma verdadeira artista.
Entretanto a escola acabou e vim para casa almoçar, pasta com molho de tomate. Depois foi só salada, porque não estava com fome para comer um bife. Mal acabámos de almoçar viemos para o quarto fazer uma sesta, que acabou às 3h. A essa hora saímos de casa para tratar de alguns assuntos. Primeiro fomos ao correio, porque a minha mãe me disse que havia uma encomenda para mim. Mas a fila estava grande e a Anna foi para o café, pelo que fiquei sozinha. Eu, no meu melhor italiano, disse à senhora que a minha mãe de acolhimento me tinha dito que havia uma encomenda para mim. A senhora perguntou pelo papel de aviso, mas não tinha chegado nada. Mandou-me então para as traseiras dos correios, para perguntar lá. Novamente no meu italiano de topo expliquei a situação, e toda a gente reagiu da mesma maneira. A dizer que era muito estranho e que não estava lá nada. Até que uma senhora se acusou e disse que tinha a minha encomenda no carro. Antes de sair, uma das funcionárias ainda me veio dizer que eu falava muito bem italiano, a dar-me os parabéns. Que orgulho. Acompanhei então a outra senhora e ela disse me que "também" fez erasmus, mas na Finlândia. E explicou-me o porquê da confusão da encomenda, porque faltava o número da casa. Curiosamente comparei com os endereços de todas as outras encomendas, e era exactamente igual. Mas pronto, não posso esperar muito de uma senhora que, sempre que vem entregar uma encomenda de Portugal cá para casa, espanta-se ao ver o país diferente e pergunta se é possível. Uma vez, duas vezes, três vezes. Fiquei muito curiosa com tal encomenda, porque não era nada que eu esperasse. E fiquei muito contente quando li o remetente, Elsa Parracho. Pois é, a mãe do João Raquel (que fez AFS trimestral para Itália no ano passado e que me convenceu a fazer também) enviou me uns miminhos de portugal. Enviou me um pacote de doces tradicionais de Salvaterra de Magos (que eu não conhecia e são deliciosos) e um postal muito querido. Muito obrigada pela encomenda!!
Depois fui ter com a Benny, a Virginia e a Anna ao magnani e seguimos para a biblioteca, onde íamos passar a tarde. A ideia era fazer tpcs e estudar, mas eu desisti logo na primeira hora e meia, enquanto elas continuaram. É verdade, passei uma tarde livre numa biblioteca, ando tão nerd.
Depois fui ao Coop (supermercado) para comprar uma tablete de chocolate Lindt para o Agus e outra para mim, dado que somos apaixonados por aquilo. E reparei que aquele chocolate em tablete custa 19,95€ ao kilo, em bolas (o mais conhecido) custa 23,00€ e em corações custa nem mais nem menos que 63,30€. Inteligentes os que optam por essa forma.
Antes de ir para casa passei numa loja para ver os preços dos quispos, mas mal vi 299€ na etiqueta do mais feio saí logo da loja. Chegada a casa, meti a mesa e fui ver televisão. Estive a ver o "Rock of ages" em Italiano com legendas em Inglês. Às 20h30 fui com o meu pai buscar a Anna ao ginásio e depois fui jantar com ela, porque os meus pais foram jantar fora. Comemos sopa de abóbora, peixe e depois castanhas à portuguesa, no forno e com sal.
Estivemos também a ver MTV, "16 anni e incinta". Pois é, porque Itália tem o seu próprio "16 and pregnant". Para quê vermos as cheerleaders a estragar a vida, quando podemos ver as próprias italianas a fazer isso?
Hoje vim para a cama cedo com esperança de dormir mais mas acho que não vai acontecer. Cazzo. Boa noite, ou bom dia, dado que só publico isto dia 24 porque a net não está a funcionar.



terça-feira, 22 de outubro de 2013

5+5=11

Boa noite!!
Hoje voltou a ser um dia super comprido.
Quando cheguei à escola o Matteo veio-me dizer que achava que eu estava doente e que por isso tinha faltado à escola, mas que depois leu o meu blog e percebeu. Espero que os meus professores não o leiam.
Estive a falar com ele e ele tem lido as publicações mais recentes, e sem usar google translate. Diz que percebe português quando está escrito e que quando não sabe qualquer coisa usa um dicionário. Corajoso.

As primeiras duas aulas foram educação física e, como estava imensa gente a faltar para estudar, tivemos de fazer equipas com o professor e com raparigas de outra turma. Estivemos outra vez a jogar volley a aula toda. Não é uma queixa, de todo. Antes isto do que futebol.
Hoje fiquei na equipa com, entre outros, o stor, a Ines e o Erald, e foi muita divertido.
Infelizmente a aula acabou meia hora mais cedo porque todos tinham de estudar para a verifica que tínhamos a seguir. Pois é, um belo testezinho de filosofia e história, misturados.

A aula a seguir foi italiano, que foi passada a fazer interrogação à Ines e ao Borghi, que se safaram bem. Enquanto eles estavam a ser avaliados eu estive a tentar estudar um bocado para o teste (Desta vez não tive a dormir! Mãe, já estás mais orgulhosa de mim?), mas óbvio que não deu resultado nenhum. Entretanto a aula acabou e estivemos a separar as mesas, de forma a estar longe o suficiente para o professor não reclamar, mas perto o suficiente para conseguir copiar. E eu fiquei no lugar privilegiado, em frente à secretária do professor, de modo a tapar-lhe a visão.
Quando o prof. entrou eu fui falar com ele. Disse-lhe que estive a tentar estudar mas que não percebia nada, ao que ele me respondeu "Non c'è problema", e não fiz teste. Em vez disso estive a escrever mais um texto para entregar ao Manumanu24 (nova alcunha do Manu voluntário da AFS graças ao seu mail), para treinar o meu italiano. Até que a minha tutora escolar me chamou. Os horários definitivos saíram e agora podemos marcar um para mim. Sentámo-nos em frente a uma lista com os horários e decidimos algumas mudanças. Vou começar a fazer Ciências uma hora por semana com a turma da Anna e outra com a da Arianna, vou fazer uma hora de Matemática com o terceiro ano e vou começar a fazer Espanhol com o liceu linguístico. Inscrevi-me nesta disciplina porque achava ser fácil para mim, mas desde que cheguei a Itália que não consigo formar frases em Espanhol, sai tudo Espaliano (ou Itanhol, como quiserem).
A minha tutora vai pedir autorização aos respectivos professores mas, se tudo correr bem, para a semana já cumpro o novo horário.

Quando a verifica acabou, vim para casa almoçar. Hoje o almoço foi putanesca, ou seja, massa. E como segundo prato uma salada.
Depois do almoço fui tomar um duche e a minha mãe preparou-me um pacote com os bolinhos que sobraram da visita do pasteleiro ontem à noite, para levar a casa do Agustin.

Antes da corriera aproveitei para ver o episódio de Walking Dead, que foi qualquer coisa de monstruosa. Quando acabou, fui para a paragem onde me encontrei com a Matilde, que também ia para Reggio e com quem tinha combinado.
Infelizmente o autocarro voltou a ser aquele que todos os estudantes usam e que por isso veio cheissimo, pelo que eu e ela tivemos de vir grande parte da viagem em pé.

Quando saí do autocarro na estação, o Agustin estava lá a minha espera. Apanhámos um daqueles autocarros da cidade e fomos para o centro, onde comemos um gelado na melhor gelataria de Reggio. Depois voltámos a apanhar o autocarro da cidade, mas desta vez com destino a Albinea. Passado 10 minutos de termos chegado à terra dele, chegou a mãe e a irmã mais velha de carro, para nos buscar.
Conheci a família toda menos o pai (porque estava a dormir) e começámos a jantar. O comer hoje foi pasta com tomates e um bife de frango depois. E como sobremesa os meus bolos.
O jantar estava todo a correr muito bem até chegar o pai do Agustin. Pois é, esqueci-me de vos dizer que, apesar de dizer que tem 48 anos, ele tem na verdade 4. E uns 4 acabados de fazer.
Graças a ele e às coisas parvas que disse, o jantar foi todo passado em gargalhadas, ou em repetidos momentos em que eu fico com a minha cara mesmo mesmo vermelha e toda a gente a comenta fazendo ainda pior.

É uma família muito divertida e muito unida, apesar de grande. São os pais, uma rapariga de 17 anos, um rapaz de 16, uma rapariga de 15 e outra de 7. No entanto, são o estereótipo de italianos: super acolhedores, super divertidos e abertos. Foi um jantar super agradável e eles fizeram-me sentir super bem, apesar de eu estar super nervosa.

Depois de jantar o pai do Agustin levou-nos a ver a produção caseira de Vinagre e a prová-la. Apesar de forte (e de eu não ser grande apreciadora de Vinagre) era muito bom.
Quando voltámos para casa fizemos pipocas e depois partimos os três rumo a Castelnovo ne Monti: eu, o Agustin e o pai.

Depois de termos escolhido um dos sete carros disponíveis (o senhor é taxista e tem sete táxis), deixámos Broletto e iniciámos a nossa viagem, ao som de Miami Vice (a música que tocava quando os pais de acolhimento do Agustin se conheceram).

Quando chegámos a Castelnovo eles deixaram-me em casa e seguiram viagem para voltar a casa, que afinal são cerca de 45 min.

Foi um dia muito agradável, e fiquei contente por ter ultrapassado todos os meus nervos e ter ido ao jantar.
Vou dormir, estou cansada.

Boa noite!

P.S.: Aqui vos deixo uma das piadas que o pai do Agustin mandou, tendo em conta que os carabinieri (policia italiana) são as louras ou alentejanos portugueses.
Na esquadra dos carabinieri estava a comissão dos policias italianos a fazer alguns testes para atribuir promoções. Passado muito tempo de espera, um carabinieri é chamado. E perguntam-lhe quanto é 4+5 ao que ele, depois de contar pelos dedos, responde 9. A comissão, muito indignada por ele ter de contar pelos dedos, diz que ele nunca será promovido e que aquilo era ridículo.
Quando o agente sai, super nervoso e chateado, cruza-se com um que vai a entrar, e conta-lhe a história. O outro, já pensando numa técnica, foi para a entrevista todo esperançoso. E a este perguntaram-lhe quanto era 5+5. O agente meteu as mãos nos bolsos e, passado um bocado, responde 11.

P.P.S.: Eu também demorei um bocado a chegar lá, mas fi-lo sozinha.

P.P.P.S.: Para quem percebeu a piada:
Depois o pai do Agustin disse que lhe tinha feito a mesma pergunta, quanto era 5+5. Ele meteu as mãos nos bolsos e pouco depois respondeu 10,5. Pois é, agora imaginem a minha reação a ouvir isto a um jantar.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Quando o telefone toca

Boa noite!

Tal como vos disse, hoje não fui à escola. O motivo era uma dor de barriga inventada, mas que entretanto se tornou real. Pois é, cada um tem o que merece, e pelos vistos eu mereço estar sempre com dores de qualquer coisa.

Então, dado que não tive aulas, hoje o meu dia começou ao 12h30, quando acordei. Vesti-me e fui pôr a mesa, para não abusar muito. Entretanto a minha mãe chegou, mas voltou a sair num segundo.
Passado meia hora chegaram os dois, a minha mãe e o meu pai, e fomos almoçar. Hoje o almoço foi pasta branca, só com um bocado de queijo.
Depois de almoço fiquei imenso tempo a falar com a minha mãe sobre imensas coisas. Falámos das minhas intolerâncias alimentares (que ela ficou toda preocupada porque o que eu como aqui é basicamente as minhas intolerâncias num prato) e de impostos. Falámos de aeroportos e de culturas. Falámos também do facto de eu ter dois apelidos, o que aqui em Itália não é nada normal. Aqui o normal é ter um nome próprio e um apelido, o do pai. A minha irmã é só Anna Goldoni e é normal, enquanto eu tenho três nomes e isso até é pouco no meio dos meus amigos portugueses.
Bem, como podem ver, falámos de tudo. E soube muita bem.

Quando acabou a hora de almoço e a minha mãe teve de voltar a trabalhar, eu vim para o meu quarto escrever um bocado e ver se estudava outro tanto (sem efeito, como podem imaginar). A tarde estava chuvosa e isso faz com que a televisão me atraia como um íman, e que eu vá a correr para o sofá. Estive então a ver filmes italianos com legendas em inglês. Vi um bocado de um filme francês sobre uma casa assombrada e estive a ver o Hotel Transilvânia. E, enquanto via isto, tocou o telefone de casa. Uma vez, duas vezes. E começou a tocar um telemóvel. E depois os dois ao mesmo tempo, enquanto eu entrava em pânico. Pois é, isto é um dos grandes medos de um exchange student: estar sozinho em casa e o telefone tocar. O que fazemos? Atendemos? Provavelmente não é para nós, e será um pouco violação de privacidade. Ignoramos? E se for um dos pais que por qualquer motivos não consegue ligar para o nosso telemóvel? Mas, felizmente, no meio de tantas perguntas os telemóveis voltaram a um estado de silêncio e não voltaram a tocar.

Depois de me fartar do filme, vim para o quarto cuscar um bocadinho do face, e fazer uns skypes. E, principalmente, tratar da viagem de finalistas. Fiz um skype com a minha mãe para sugerir umas ideias, e para pedir umas autorizações. Depois um skype com o Zé Artur, que me esteve a sugerir algumas coisas e aconselhar outras. E finalmente com a Margarida que, independentemente de para onde eu for, vai ser uma das minhas companheiras.

Entretanto recebi um mail da minha tutora da escola a dizer que eu devia tentar fazer o meu teste de amanhã. Pois é, tenho teste de Filosofia e História e ela acha que devia experimentar. Mandei uma mensagem à Ines a perguntar as paginas que saíam, e admirei me quando soube que são pouquíssimas paginas. São cerca de 15 páginas de Filosofia e mais umas 8 de História, mas tudo no mesmo teste e nas mesmas perguntas. Pois é, apesar de serem disciplinas diferentes e com notas diferentes, podem ser avaliadas em conjunto.
Quis estudar um pouquinho, mas como é óbvio que não o fiz. Em vez disso fiz um skype com a Maria Carreira, que me esteve a falar um bocado das suas aventuras nas Américas.

Por volta das 20h30 chamaram-me para conhecer um casal amigo que vinha cá jantar. Um casal novo e igualmente religioso, pelo que fizeram uma oração antes de comer. Reparei também que usam aliança, tal como a maior parte dos Italianos. Aí em Portugal não é muito comum, ou fui eu que nunca reparei?
No meio de uma conversa com eles soube que já vieram a Portugal, inclusive Coimbra. Pois é, no meio de tantas pessoas que já conheci aqui são para aí os quintos que me dizem que conhecem Coimbra.

O jantar hoje foi pizza comprada, petiscos e castanhas e doces italianos de sobremesa. O senhor é pasteleiro e trouxe-nos uns bolos feitos por ele, deliciosos. O jantar prolongou-se durante cerca de duas horas, pelo que arranjámos uma maneira de nos escaparmos para ver televisão.
Não consegui fazer o planeado para hoje, isto é, fazer qualquer sobremesa para o jantar de amanhã e estudar para o teste, pelo que amanhã vou madrugar.

Vou tomar banho e depois dormir. Boa noite!


trovoada

Boa noite!
Ou bom dia, como quiserem. Infelizmente não consegui publicar este relato no dia certo porque por volta das 20h italianas começou aqui uma chuva interminável com imensos trovões e adeus internet.

Hoje de manhã acordei com o despertador da Benny, que estava posto para acordarmos a tempo da missa. A ideia era irmos ter tomado o pequeno almoço a um sítio tipo a fábrica da figueira, ou a panificadora da lousã, mas aterrámos as três e acabámos por não ir.
Quando acordámos elas foram-se logo vestir para ir para a missa, mas eu decidi não ir.
Aproveitei o tempo para escrever o blog de ontem, e para escrever mais umas páginas na versão negra do blog.

Depois de almoço (que pela primeira vez não me lembro o que foi) vim para o meu quarto para estudar um bocado de matemática, dado que sábado voltamos a ter teste. Acabei por ligar à minha família portuguesa e estivemos a falar durante um bocadinho. É bom saber que está tudo bem e meter algumas novidades em dia. E ver o Hugo tão empenhado na escola secundária. Ou ver o Lucas a fazer com que a imagem dele no video do skype pareça que está a lamber a cabeça do meu pai. Ou ter um plano da cabeça de um peixe grelhado que eles dizem que me substitui. Ou ver o Lucas através da garrafa de água, a fingir que é um peixe lá preso. Sim, por vezes é bom recordar que tenho uma família normal.

Aproveitei também e comecei a ver o Gru o Mal disposto 2, porque a chuva a uma tarde de domingo estava mesmo a pedi-las.
Entretanto a Anna foi ao café e eu fiquei a estudar matemática e falar no skype com a Margarida, até que alguém bateu à porta. Era o Samu, o nosso primo de 5 anos. É sempre tão divertido ouvir o que ele diz. Parece um senhor importante mas só com cinco anos. Fomos procurar a Anna, mas ela não estava.

Ao jantar hoje tivemos a companhia da nossa avó e do Samu, que me divertiu o jantar todo. O primeiro prato era uma sopa só com massa e água e o segundo maçã com óleo e salmão fumado. Como sobremesa tivemos direito a uma fatia de bolo, que cai sempre bem.
Depois do jantar estivemos a conversar um bocadinho enquanto a Cindy estava cá dentro, porque tem medo dos trovões. Assim como o Samu, pelo que tremiam sempre que vinha um forte. E o Samu tinha também medo da Cindy, pelo que foi complicado afastar os dois.
Quando o Tommi e o meu pai saíram para ir ver um jogo de futebol eu fiquei a arrumar a cozinha, mas entretanto a minha mãe e a Anna juntaram-se a mim.

Ontem fiz uma aposta com a Anna e ela prometeu-me que, se eu ganhasse, podia ficar a dormir amanhã em vez de ir à escola. Ela hoje abordou o assunto, e diz que o vai cumprir. Maravilha.
Pedi à minha mãe para saber se posso ir jantar casa do Agustin na terça feira, dado que o pai dele me convidou. Apesar de ser a 1h de distância a minha mãe deixou, porque o pai diz que me traz a casa quando acabarmos. Há gente doida.
Mas assim amanhã tenho de cozinhar qualquer coisa portuguesa com a Anna, para levar para o jantar, não quero aparecer de mãos a abanar a um convite tão simpático. Vou finalmente conhecer a família dele, e entre eles a irmã que estava na Hungria com a AFS mas que voltou antes do tempo por causa do namorado.
Vai ser giro, espero eu.

Acabei agora de ver o Gru o maldisposto dado que não tenho internet e não podia fazer mais nada, mas adorei. Aquele filme é genial, aconselho a todos os que ainda não viram.
Boa noite. Amanhã não tenho aulas, só acordo ao meio dia.

domingo, 20 de outubro de 2013

KISS

Mais um dia passou.


Hoje de manhã o meu dia de aulas foi bastante estranho. Comecei com duas horas de matemática em que estivemos a resolver equações com logaritmos e exponenciais. Duas horas de chinês, portanto.
Depois desta aula era hora de ter italiano. O professor entrou, foi escrever o sumário no computador (o nosso livro de ponto é no pc), disse que ia com o quinto ano numa visita de estudo e foi-se embora, pelo que ficámos sozinhos na sala. Enquanto uns jogavam cartas, outros ouviam música e uns tiravam fotos eu, a Tamara e a Martina decidimos dormir. Quando acordei reparei que houve uma professora o tempo todo na sala, mas só esteve a marcar presença.


Entretanto era hora da aula de física, cujo professor nunca mais chegava. 5 minutos, 15 minutos, meia hora. Até que passam 45 minutos da hora e ele chega. Vai ao computador escrever as coisas da aula, anda de um lado para o outro da sala, abre a porta e diz "boas aulas", e vai-se embora.
Depois era a aula de ciências, mas hoje não íamos ter porque era dia de eleger o delegado de turma. Enquanto todas as turmas se estavam a despachar a fazer isso para irem para casa a seguir, a minha demorou imenso porque, de 10 em 10 minutos, a stora aparecia a perguntar se estávamos prontos e se já podia dar aula. Acabadas as eleições e tendo saído como vencedores a Ines e o Erald, a professora entra. Senta-se ao computador e escreve. Até que o telefone toca. Tem uma mini conversa e desliga. Depois diz à turma, quase aos gritos, que era do infantário do filho. Que o marido só tem um dia por semana em que tem de ir buscar o filho. Era hoje, e esqueceu-se, pelo que a stora foi-se logo embora.
Com isto acabaram as aulas e fui para casa. O almoço hoje era gnocci caseiros (com pesto e outros com tomate) e o segundo prato era carne com batatas. Como sobremesa eram as nossas queijadinhas, que eu acho deliciosas.

Quando o almoço acabou fui para o quarto e vi um episódio de Breaking Bad, aquilo é só a melhor serie de sempre.
Depois disto fiz uma sestinha de cerca de duas horas, que acabou quando a Anna me acordou para irmos tratar de alguns assuntos. Encontrámo-nos com a Benny e fomos à loja dos telemóveis, reclamar pelo atraso do meu. E a uma loja de cosmética para a Anna comprar maquilhagem. E à casa das collants, e a um supermercado que só vende produtos de higiene.
Acabada a ronda às lojas fomos para o Magnani, onde nos encontrámos com a Virgi e o Mayo. Acabámos por jantar lá no aperitivo, por 3 euros. 
Depois viemos para casa tomar um duche e prepararmo-nos para a noite, porque íamos a uma discoteca. 
Já prontas fomos para o Magnani onde estivemos um bocadinho até chegar o autocarro para a discoteca, que é relativamente longe. E a viagem não custou mais nem menos de 10€, coisa pouca.
Felizmente na discoteca tínhamos uma mesa reservada para nós, onde podíamos guardar os casacos e assim. Elas disseram-me que aquilo era mesmo pequenino, então até me admirei quando demos com uma coisa mais ou menos do tamanho do nb de coimbra.

A entrada na discoteca também não foi nada simpática (20 euros), mas tínhamos bebidas a discrição.
Às 3h o nosso pai veio-nos buscar (a mim, Anna e Benny) e fomos para casa. Quando me deitei na cama aterrei logo, mas elas ainda ficaram ali numa animação a falar imenso.

Numa conversa antes de adormecer a Anna disse-me "Não quero que te vás embora", ao que eu respondi "Também não quero, a culpa não é minha" e ela disse, com voz de deficiente, "olha não, fui eu que me inscrevi para 3 meses". A verdade é que se me tivesse inscrito para 1 ano não estava nesta família. Mas sim, é verdade, devia ter inscrito para 1 ano logo desde o início. Chapéu, agora é aproveitar este mês e meio que falta ao máximo.

Beijos com algumas saudades (wow, é a primeira vez que digo isto!)




Eu, a Benny e a Anna, antes de sairmos de casa


KISS, a discoteca a 20 min de Castelnovo

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

queijadinhas de leite





Boa noite!
Ontem esqueci-me de vos dizer, mas começou o inverno aqui em Itália. Não que tenha nevado nem que a temperatura tenha descido, mas comemos castanhas. O próximo sinal vão ser os ferrrero rocher, mas não quero que cheguem.
Mas pronto, relativamente às castanhas, eles também as comem de forma diferente. Em vez de ser no forno, preparam-nas no fogão. E olham para mim com uma cara estranha quando meto sal grosso no meio. Tentei convencê-los a provar, mas eles não foram na minha conversa. Nem sabem o que perdem.

A Anna tem a mania de acordar cedo para estudar e, para garantir que acorda, mete música eletrónica aos altos berros como despertador. O problema é que, mesmo assim, não acorda. E tenho de ser eu, às 6h da manhã, a acorda-la para desligar aquela coisa.

Hoje a minha primeira aula foi Física, e hoje o meu caderno diário retrata muito bem como correu. Ontem não consegui dormir bem (e tinha tomado um anti histaminico) então hoje estava impossível. No meu caderno há várias manchas de tinta da caneta que foram feitas porque eu, enquanto escrevia, adormecia e deixava a caneta demasiado tempo no caderno.
A aula a seguir foi Italiano, e o professor ia chamando os meus colegas um a um para falar do teste que fizeram quando eu estava no campo. Como vi que aquilo ia demorar, encostei a cabeça à mesa. Mas só voltei a abrir os olhos passado meia hora. Olho em volta, o professor pergunta-me se dormi bem e toda a gente se ri (inclusive ele). Fiquei-me a sentir mal pelo meu aspeto, e escrevi à Niccole "Tu devias ter-me acordado!!" e ela disse "Não!! O Palai (professor) viu-te e disse para fazermos pouco barulho, para continuares a dormir". Bem, que vergonha. Foi desta que decidi que não repito isto. Paciência, faço um esforço para beber café, mas não quero voltar a passar por isto.

A seguir veio a aula de Religião, em que a professora falava falava mas ninguém ouvia nada. A meio da aula ela perguntou-me "estás a perceber o seguimento?" ao que eu respondi "hum hum" e fiz a turma rir. Não é que não percebesse as coisas que ela dizia, mas simplesmente não me interessavam. Tal como não me interessava muito (e aí já não percebia) o jornal que ela me deu para ler o resto da aula.

Depois disto veio a aula de Ciências, que foi passada a fazer interrogações orais. Gosto da maneira como misturam assuntos que são bastante diferentes, acho que é realmente uma óptima forma de ensinar. Na mesma aula e em menos de 10 minutos falamos de misturas e substâncias, e de níveis de energia. É quase o mesmo que estudar gramática portuguesa em equações de segundo grau.
E a última aula foi Inglês, em que fomos para o laboratório de línguas. Esta sala é uma sala modernamente equipada com cerca de 15 windows xp dos quais 7 não funcionam. Bem, mas em relação à aula, foi uma aula diferente. Estivemos a ver trailers de filmes sobre a Rainha Elizabeth I e depois a responder a exercícios sobre eles. Foi fácil, por isso eu gostei.

Depois da escola acabar fomos para casa, para almoçar. Hoje comemos uma pasta que nunca tinha comido em Portugal. Era tipo esparguete (assim comprido) mas era muito mais grossa e tinha um buraco dentro, isto é, tipo um tubo de pasta. O molho era de atum e de tomate, um dos meus preferidos.
A meio do almoço chegou o Tommaso, vindo de Parma (onde estuda e vive durante a semana). Depois de acabarmos de comer ficámos imenso tempo à mesa a falar em família, os cinco. Foi agradável e foi a primeira vez que ficámos assim tanto tempo à conversa sem alguém sair.

Quando acabei de ajudar na cozinha vim para o quarto estudar matemática. Estuda estuda, vais é fazer uma sesta. Adormeci e só acordei passado 2 horas, quando a Anna me veio perguntar se queria ir ao Magnani.
Lá fomos nós ao bar com a Vírginia, a Arianna e a Benny. Mas passado um pouco a Anna e a mãe foram comprar não sei o quê, pelo que fiquei com elas. Entretanto começou a ficar tarde e a Anna nunca mais voltava nem respondia às mensagens, pelo que vim para casa.

Antes de comermos, eu e a Anna estivemos a fazer queijadinhas de leite, com a receita que a minha mãe me enviou. Mas achámos que se metessemos o leite que eles diziam, aquilo ia ficar demasiado líquido, então inventámos. A primeira dose foi ao forno e saiu com um aspecto um bocado diferente do normal. Depois de concluirmos que devíamos meter o leite todo, foi a segunda dose. E nem sei o que dizer desta, deixo as fotos falarem por si.
O jantar hoje foi sopa de zucca (ou abóbora, como lhes estou a ensinar) e o segundo prato um bife com batatas (que aqui fazem no microondas).

Quando acabámos de jantar fomos ver um jogo de basket no pavilhão da escola, de Castelnovo ne Monti contra outra equipa. Era um jogo muito importante, mas perdemos.
Depois do jogo acabar fomos com a Benny e a Lucia para o Magnani, onde estivemos a conversar. Chegámos a casa por volta da meia noite, embora tenhamos escola amanhã. Não percebo estes italianos.

Comi uma queijadinha e bebi um copo de leite e vim para a cama, até sabe melhor dormir assim.
Boa noite, beijos!