segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Quando o telefone toca

Boa noite!

Tal como vos disse, hoje não fui à escola. O motivo era uma dor de barriga inventada, mas que entretanto se tornou real. Pois é, cada um tem o que merece, e pelos vistos eu mereço estar sempre com dores de qualquer coisa.

Então, dado que não tive aulas, hoje o meu dia começou ao 12h30, quando acordei. Vesti-me e fui pôr a mesa, para não abusar muito. Entretanto a minha mãe chegou, mas voltou a sair num segundo.
Passado meia hora chegaram os dois, a minha mãe e o meu pai, e fomos almoçar. Hoje o almoço foi pasta branca, só com um bocado de queijo.
Depois de almoço fiquei imenso tempo a falar com a minha mãe sobre imensas coisas. Falámos das minhas intolerâncias alimentares (que ela ficou toda preocupada porque o que eu como aqui é basicamente as minhas intolerâncias num prato) e de impostos. Falámos de aeroportos e de culturas. Falámos também do facto de eu ter dois apelidos, o que aqui em Itália não é nada normal. Aqui o normal é ter um nome próprio e um apelido, o do pai. A minha irmã é só Anna Goldoni e é normal, enquanto eu tenho três nomes e isso até é pouco no meio dos meus amigos portugueses.
Bem, como podem ver, falámos de tudo. E soube muita bem.

Quando acabou a hora de almoço e a minha mãe teve de voltar a trabalhar, eu vim para o meu quarto escrever um bocado e ver se estudava outro tanto (sem efeito, como podem imaginar). A tarde estava chuvosa e isso faz com que a televisão me atraia como um íman, e que eu vá a correr para o sofá. Estive então a ver filmes italianos com legendas em inglês. Vi um bocado de um filme francês sobre uma casa assombrada e estive a ver o Hotel Transilvânia. E, enquanto via isto, tocou o telefone de casa. Uma vez, duas vezes. E começou a tocar um telemóvel. E depois os dois ao mesmo tempo, enquanto eu entrava em pânico. Pois é, isto é um dos grandes medos de um exchange student: estar sozinho em casa e o telefone tocar. O que fazemos? Atendemos? Provavelmente não é para nós, e será um pouco violação de privacidade. Ignoramos? E se for um dos pais que por qualquer motivos não consegue ligar para o nosso telemóvel? Mas, felizmente, no meio de tantas perguntas os telemóveis voltaram a um estado de silêncio e não voltaram a tocar.

Depois de me fartar do filme, vim para o quarto cuscar um bocadinho do face, e fazer uns skypes. E, principalmente, tratar da viagem de finalistas. Fiz um skype com a minha mãe para sugerir umas ideias, e para pedir umas autorizações. Depois um skype com o Zé Artur, que me esteve a sugerir algumas coisas e aconselhar outras. E finalmente com a Margarida que, independentemente de para onde eu for, vai ser uma das minhas companheiras.

Entretanto recebi um mail da minha tutora da escola a dizer que eu devia tentar fazer o meu teste de amanhã. Pois é, tenho teste de Filosofia e História e ela acha que devia experimentar. Mandei uma mensagem à Ines a perguntar as paginas que saíam, e admirei me quando soube que são pouquíssimas paginas. São cerca de 15 páginas de Filosofia e mais umas 8 de História, mas tudo no mesmo teste e nas mesmas perguntas. Pois é, apesar de serem disciplinas diferentes e com notas diferentes, podem ser avaliadas em conjunto.
Quis estudar um pouquinho, mas como é óbvio que não o fiz. Em vez disso fiz um skype com a Maria Carreira, que me esteve a falar um bocado das suas aventuras nas Américas.

Por volta das 20h30 chamaram-me para conhecer um casal amigo que vinha cá jantar. Um casal novo e igualmente religioso, pelo que fizeram uma oração antes de comer. Reparei também que usam aliança, tal como a maior parte dos Italianos. Aí em Portugal não é muito comum, ou fui eu que nunca reparei?
No meio de uma conversa com eles soube que já vieram a Portugal, inclusive Coimbra. Pois é, no meio de tantas pessoas que já conheci aqui são para aí os quintos que me dizem que conhecem Coimbra.

O jantar hoje foi pizza comprada, petiscos e castanhas e doces italianos de sobremesa. O senhor é pasteleiro e trouxe-nos uns bolos feitos por ele, deliciosos. O jantar prolongou-se durante cerca de duas horas, pelo que arranjámos uma maneira de nos escaparmos para ver televisão.
Não consegui fazer o planeado para hoje, isto é, fazer qualquer sobremesa para o jantar de amanhã e estudar para o teste, pelo que amanhã vou madrugar.

Vou tomar banho e depois dormir. Boa noite!


trovoada

Boa noite!
Ou bom dia, como quiserem. Infelizmente não consegui publicar este relato no dia certo porque por volta das 20h italianas começou aqui uma chuva interminável com imensos trovões e adeus internet.

Hoje de manhã acordei com o despertador da Benny, que estava posto para acordarmos a tempo da missa. A ideia era irmos ter tomado o pequeno almoço a um sítio tipo a fábrica da figueira, ou a panificadora da lousã, mas aterrámos as três e acabámos por não ir.
Quando acordámos elas foram-se logo vestir para ir para a missa, mas eu decidi não ir.
Aproveitei o tempo para escrever o blog de ontem, e para escrever mais umas páginas na versão negra do blog.

Depois de almoço (que pela primeira vez não me lembro o que foi) vim para o meu quarto para estudar um bocado de matemática, dado que sábado voltamos a ter teste. Acabei por ligar à minha família portuguesa e estivemos a falar durante um bocadinho. É bom saber que está tudo bem e meter algumas novidades em dia. E ver o Hugo tão empenhado na escola secundária. Ou ver o Lucas a fazer com que a imagem dele no video do skype pareça que está a lamber a cabeça do meu pai. Ou ter um plano da cabeça de um peixe grelhado que eles dizem que me substitui. Ou ver o Lucas através da garrafa de água, a fingir que é um peixe lá preso. Sim, por vezes é bom recordar que tenho uma família normal.

Aproveitei também e comecei a ver o Gru o Mal disposto 2, porque a chuva a uma tarde de domingo estava mesmo a pedi-las.
Entretanto a Anna foi ao café e eu fiquei a estudar matemática e falar no skype com a Margarida, até que alguém bateu à porta. Era o Samu, o nosso primo de 5 anos. É sempre tão divertido ouvir o que ele diz. Parece um senhor importante mas só com cinco anos. Fomos procurar a Anna, mas ela não estava.

Ao jantar hoje tivemos a companhia da nossa avó e do Samu, que me divertiu o jantar todo. O primeiro prato era uma sopa só com massa e água e o segundo maçã com óleo e salmão fumado. Como sobremesa tivemos direito a uma fatia de bolo, que cai sempre bem.
Depois do jantar estivemos a conversar um bocadinho enquanto a Cindy estava cá dentro, porque tem medo dos trovões. Assim como o Samu, pelo que tremiam sempre que vinha um forte. E o Samu tinha também medo da Cindy, pelo que foi complicado afastar os dois.
Quando o Tommi e o meu pai saíram para ir ver um jogo de futebol eu fiquei a arrumar a cozinha, mas entretanto a minha mãe e a Anna juntaram-se a mim.

Ontem fiz uma aposta com a Anna e ela prometeu-me que, se eu ganhasse, podia ficar a dormir amanhã em vez de ir à escola. Ela hoje abordou o assunto, e diz que o vai cumprir. Maravilha.
Pedi à minha mãe para saber se posso ir jantar casa do Agustin na terça feira, dado que o pai dele me convidou. Apesar de ser a 1h de distância a minha mãe deixou, porque o pai diz que me traz a casa quando acabarmos. Há gente doida.
Mas assim amanhã tenho de cozinhar qualquer coisa portuguesa com a Anna, para levar para o jantar, não quero aparecer de mãos a abanar a um convite tão simpático. Vou finalmente conhecer a família dele, e entre eles a irmã que estava na Hungria com a AFS mas que voltou antes do tempo por causa do namorado.
Vai ser giro, espero eu.

Acabei agora de ver o Gru o maldisposto dado que não tenho internet e não podia fazer mais nada, mas adorei. Aquele filme é genial, aconselho a todos os que ainda não viram.
Boa noite. Amanhã não tenho aulas, só acordo ao meio dia.

domingo, 20 de outubro de 2013

KISS

Mais um dia passou.


Hoje de manhã o meu dia de aulas foi bastante estranho. Comecei com duas horas de matemática em que estivemos a resolver equações com logaritmos e exponenciais. Duas horas de chinês, portanto.
Depois desta aula era hora de ter italiano. O professor entrou, foi escrever o sumário no computador (o nosso livro de ponto é no pc), disse que ia com o quinto ano numa visita de estudo e foi-se embora, pelo que ficámos sozinhos na sala. Enquanto uns jogavam cartas, outros ouviam música e uns tiravam fotos eu, a Tamara e a Martina decidimos dormir. Quando acordei reparei que houve uma professora o tempo todo na sala, mas só esteve a marcar presença.


Entretanto era hora da aula de física, cujo professor nunca mais chegava. 5 minutos, 15 minutos, meia hora. Até que passam 45 minutos da hora e ele chega. Vai ao computador escrever as coisas da aula, anda de um lado para o outro da sala, abre a porta e diz "boas aulas", e vai-se embora.
Depois era a aula de ciências, mas hoje não íamos ter porque era dia de eleger o delegado de turma. Enquanto todas as turmas se estavam a despachar a fazer isso para irem para casa a seguir, a minha demorou imenso porque, de 10 em 10 minutos, a stora aparecia a perguntar se estávamos prontos e se já podia dar aula. Acabadas as eleições e tendo saído como vencedores a Ines e o Erald, a professora entra. Senta-se ao computador e escreve. Até que o telefone toca. Tem uma mini conversa e desliga. Depois diz à turma, quase aos gritos, que era do infantário do filho. Que o marido só tem um dia por semana em que tem de ir buscar o filho. Era hoje, e esqueceu-se, pelo que a stora foi-se logo embora.
Com isto acabaram as aulas e fui para casa. O almoço hoje era gnocci caseiros (com pesto e outros com tomate) e o segundo prato era carne com batatas. Como sobremesa eram as nossas queijadinhas, que eu acho deliciosas.

Quando o almoço acabou fui para o quarto e vi um episódio de Breaking Bad, aquilo é só a melhor serie de sempre.
Depois disto fiz uma sestinha de cerca de duas horas, que acabou quando a Anna me acordou para irmos tratar de alguns assuntos. Encontrámo-nos com a Benny e fomos à loja dos telemóveis, reclamar pelo atraso do meu. E a uma loja de cosmética para a Anna comprar maquilhagem. E à casa das collants, e a um supermercado que só vende produtos de higiene.
Acabada a ronda às lojas fomos para o Magnani, onde nos encontrámos com a Virgi e o Mayo. Acabámos por jantar lá no aperitivo, por 3 euros. 
Depois viemos para casa tomar um duche e prepararmo-nos para a noite, porque íamos a uma discoteca. 
Já prontas fomos para o Magnani onde estivemos um bocadinho até chegar o autocarro para a discoteca, que é relativamente longe. E a viagem não custou mais nem menos de 10€, coisa pouca.
Felizmente na discoteca tínhamos uma mesa reservada para nós, onde podíamos guardar os casacos e assim. Elas disseram-me que aquilo era mesmo pequenino, então até me admirei quando demos com uma coisa mais ou menos do tamanho do nb de coimbra.

A entrada na discoteca também não foi nada simpática (20 euros), mas tínhamos bebidas a discrição.
Às 3h o nosso pai veio-nos buscar (a mim, Anna e Benny) e fomos para casa. Quando me deitei na cama aterrei logo, mas elas ainda ficaram ali numa animação a falar imenso.

Numa conversa antes de adormecer a Anna disse-me "Não quero que te vás embora", ao que eu respondi "Também não quero, a culpa não é minha" e ela disse, com voz de deficiente, "olha não, fui eu que me inscrevi para 3 meses". A verdade é que se me tivesse inscrito para 1 ano não estava nesta família. Mas sim, é verdade, devia ter inscrito para 1 ano logo desde o início. Chapéu, agora é aproveitar este mês e meio que falta ao máximo.

Beijos com algumas saudades (wow, é a primeira vez que digo isto!)




Eu, a Benny e a Anna, antes de sairmos de casa


KISS, a discoteca a 20 min de Castelnovo

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

queijadinhas de leite





Boa noite!
Ontem esqueci-me de vos dizer, mas começou o inverno aqui em Itália. Não que tenha nevado nem que a temperatura tenha descido, mas comemos castanhas. O próximo sinal vão ser os ferrrero rocher, mas não quero que cheguem.
Mas pronto, relativamente às castanhas, eles também as comem de forma diferente. Em vez de ser no forno, preparam-nas no fogão. E olham para mim com uma cara estranha quando meto sal grosso no meio. Tentei convencê-los a provar, mas eles não foram na minha conversa. Nem sabem o que perdem.

A Anna tem a mania de acordar cedo para estudar e, para garantir que acorda, mete música eletrónica aos altos berros como despertador. O problema é que, mesmo assim, não acorda. E tenho de ser eu, às 6h da manhã, a acorda-la para desligar aquela coisa.

Hoje a minha primeira aula foi Física, e hoje o meu caderno diário retrata muito bem como correu. Ontem não consegui dormir bem (e tinha tomado um anti histaminico) então hoje estava impossível. No meu caderno há várias manchas de tinta da caneta que foram feitas porque eu, enquanto escrevia, adormecia e deixava a caneta demasiado tempo no caderno.
A aula a seguir foi Italiano, e o professor ia chamando os meus colegas um a um para falar do teste que fizeram quando eu estava no campo. Como vi que aquilo ia demorar, encostei a cabeça à mesa. Mas só voltei a abrir os olhos passado meia hora. Olho em volta, o professor pergunta-me se dormi bem e toda a gente se ri (inclusive ele). Fiquei-me a sentir mal pelo meu aspeto, e escrevi à Niccole "Tu devias ter-me acordado!!" e ela disse "Não!! O Palai (professor) viu-te e disse para fazermos pouco barulho, para continuares a dormir". Bem, que vergonha. Foi desta que decidi que não repito isto. Paciência, faço um esforço para beber café, mas não quero voltar a passar por isto.

A seguir veio a aula de Religião, em que a professora falava falava mas ninguém ouvia nada. A meio da aula ela perguntou-me "estás a perceber o seguimento?" ao que eu respondi "hum hum" e fiz a turma rir. Não é que não percebesse as coisas que ela dizia, mas simplesmente não me interessavam. Tal como não me interessava muito (e aí já não percebia) o jornal que ela me deu para ler o resto da aula.

Depois disto veio a aula de Ciências, que foi passada a fazer interrogações orais. Gosto da maneira como misturam assuntos que são bastante diferentes, acho que é realmente uma óptima forma de ensinar. Na mesma aula e em menos de 10 minutos falamos de misturas e substâncias, e de níveis de energia. É quase o mesmo que estudar gramática portuguesa em equações de segundo grau.
E a última aula foi Inglês, em que fomos para o laboratório de línguas. Esta sala é uma sala modernamente equipada com cerca de 15 windows xp dos quais 7 não funcionam. Bem, mas em relação à aula, foi uma aula diferente. Estivemos a ver trailers de filmes sobre a Rainha Elizabeth I e depois a responder a exercícios sobre eles. Foi fácil, por isso eu gostei.

Depois da escola acabar fomos para casa, para almoçar. Hoje comemos uma pasta que nunca tinha comido em Portugal. Era tipo esparguete (assim comprido) mas era muito mais grossa e tinha um buraco dentro, isto é, tipo um tubo de pasta. O molho era de atum e de tomate, um dos meus preferidos.
A meio do almoço chegou o Tommaso, vindo de Parma (onde estuda e vive durante a semana). Depois de acabarmos de comer ficámos imenso tempo à mesa a falar em família, os cinco. Foi agradável e foi a primeira vez que ficámos assim tanto tempo à conversa sem alguém sair.

Quando acabei de ajudar na cozinha vim para o quarto estudar matemática. Estuda estuda, vais é fazer uma sesta. Adormeci e só acordei passado 2 horas, quando a Anna me veio perguntar se queria ir ao Magnani.
Lá fomos nós ao bar com a Vírginia, a Arianna e a Benny. Mas passado um pouco a Anna e a mãe foram comprar não sei o quê, pelo que fiquei com elas. Entretanto começou a ficar tarde e a Anna nunca mais voltava nem respondia às mensagens, pelo que vim para casa.

Antes de comermos, eu e a Anna estivemos a fazer queijadinhas de leite, com a receita que a minha mãe me enviou. Mas achámos que se metessemos o leite que eles diziam, aquilo ia ficar demasiado líquido, então inventámos. A primeira dose foi ao forno e saiu com um aspecto um bocado diferente do normal. Depois de concluirmos que devíamos meter o leite todo, foi a segunda dose. E nem sei o que dizer desta, deixo as fotos falarem por si.
O jantar hoje foi sopa de zucca (ou abóbora, como lhes estou a ensinar) e o segundo prato um bife com batatas (que aqui fazem no microondas).

Quando acabámos de jantar fomos ver um jogo de basket no pavilhão da escola, de Castelnovo ne Monti contra outra equipa. Era um jogo muito importante, mas perdemos.
Depois do jogo acabar fomos com a Benny e a Lucia para o Magnani, onde estivemos a conversar. Chegámos a casa por volta da meia noite, embora tenhamos escola amanhã. Não percebo estes italianos.

Comi uma queijadinha e bebi um copo de leite e vim para a cama, até sabe melhor dormir assim.
Boa noite, beijos!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

DREAM

Boa noite!
Mais um dia, mais um post. Estava agora a dizer à Anna que às vezes me canso de fazer isto, mas sei que no futuro vou ficar contente por tê-lo feito e é óptimo porque me faz continuar a escrever imenso em português e recordar o dia, no que fiz de bem ou de mal. No que quero mudar.
Isto é muito importante numa experiência destas. No campo de chegada, na cerimónia de abertura, algum dos representantes da AFS discursou para nós. E disse que isto era uma experiência de vida única para nós. Que, pela primeira vez, íamos para um sítio onde mesmo ninguém nos conhecia. Que tínhamos uma oportunidade de pensar em quem queremos ser e sê-lo. O blog ajuda-me a fazer isso todos os dias e por isso aconselho a toda a gente que esteja indecisa sobre fazer ou não para o fazer de uma vez por todas. Francisco Franco, já ouvi falar da tua vontade de fazer um blog mas ainda não vi nada, mãos à obra! Bart, eu sei que estás a ler isto, mexe-te!

Entretanto aqui em Itália redescobri três enormes paixões: bacalhau, coca-cola e chocolate. O bacalhau que é das poucas coisas que tenho saudades de Portugal, e a coca-cola e o chocolate que são a minha gasolina para todos os dias. É verdade, eu vou sair daqui obesa e não vai ser graças à pizza (tenho também saudades da pizza da D. Manuel, são melhores do que as que tenho comido, e não estou a gozar). E curiosamente são duas coisas de que nunca gostei muito (cola e chocolate).
E com isto vem uma má notícia que me contaram ontem. Pois é, se continuarmos a consumir chocolate como fazemos agora, daqui a 7/8 anos não vai haver mais chocolate, por falta de cacau. Eu sei que a mensagem que se deve tirar daqui é para reduzir o consumo de cacau agora, para garantirmos para o futuro, mas a nossa interpretação (Agustin, Cille e eu) foi exatamente esta: "aproveita e come todo o chocolate que conseguires enquanto houver!".

Hoje a minha primeira aula foi matemática, em que estivemos a estudar mais logaritmos. Para além disso, recebi o meu teste. Apesar de não ter nota, eu fiz as contas e acho que pontos garantidos tive 15, em 68. Isto é, um 2,20 em nota italiana. Um 4,4 em notas portuguesas. Pois é, senti-me um génio. E ver a correção ainda foi mais giro. "1 A) Si B) Errore C) ERRORE GRAVE D) Incompleta".

Depois vieram mais duas horas de Italiano, salve-se quem puder. No primeiro tempo foi interrogação oral. A maior parte da turma justificou-se então restaram três que foram para a secretária do professor para fazer a avaliação. Uns cinco alunos mudaram as mesas para perto para conseguir ouvir a avaliação e outros poucos ficaram no lugar, tal como eu.
Bem, uma aula com três alunos ao lado do professor numa conversa contínua? Já devem imaginar a minha resposta a isso, pelo menos o Marco adivinhou: quando olhei para o telemóvel tinha uma mensagem dele a dizer "Buona notte mia cara". Ele não podia estar mais certo, foi exatamente isso que fiz a hora inteira.
Na segunda hora estivemos a estudar alguns escritores, dos quais Miguel de Cervantes e Goldoni. O último provocou muito riso na turma, porque ninguém conheci tal escritor e associou o nome à minha família italiana.

A seguir veio o intervalo, que passei com a Niccole. Estivemos a falar e fomos comprar comida nas máquinas.
As aulas seguintes foram dois tempos de Filosofia/História e a única coisa que ouvi a aula toda foi "Será o inventor da bomba nuclear responsável pelos danos causados por ela?", que já tinha discutido em Portugal.

Logo quando acabou a escola fui para a paragem onde ia apanhar a coriera, mas desta vez sozinha. No meio da confusão já ia entrar em pânico porque não sabia para onde ir, até que vejo a irmã da Arianna. Pergunto-lhe qual é o autocarro para Reggio e ela diz-me que é aquele em que estava a entrar, e que vinha para o mesmo sítio que eu então podíamos ir juntas.
Voltou a ser uma viagem muito complicada, durante a qual tive a oportunidade de escrever as 5 regras da lógica dos autocarros italianos:
nr. 1 -"Não dizemos para onde vamos. Queres saber o destino final, perguntas."
nr. 2 - O melhor condutor é aquele que faz o autocarro dar os maiores pulinhos quando passamos em cima de uma lomba.`
nr. 3 - Para quê sentar ao lado de um desconhecido se podemos ir a viagem toda em pé?
nr. 4 - Para quê deixar a senhora de 70 anos ir sentada se há um rapaz de 17 anos que também o quer?
nr. 5 - "Não temos muitos lugares relativamente à quantidade de pessoas que levamos, por isso, se queres um, prepara os punhos."
nr. 6 - Para quê meter a música do rádio do autocarro? Vamos todos meter o volume e os fones ao máximo para todo o autocarro ouvir a nova música dos Jonas Brothers que a miúda do elementar está a ouvir.

Quando cheguei à estação, passada uma hora e meia depois, fui ter com a Cille e o Agus ao McDonald's. Já não comia um happy meal há cerca de 2 meses, foi um sonho voltar a comer um. Aqui pagamos 4€ pelo Happy Meal e ainda te oferecem uma sobremesa, que vem incluída. Ou fruta, ou iogurte líquido biológico ou queijo. Que belíssimas escolhas.
Mal acabei de comer fomos para a paragem onde apanhámos um mini bus para o centro comercial, onde íamos passar a tarde. Eles os dois, como habitantes da cidade que são, têm passe para aqueles autocarros, mas eu não. Depois de termos tentado milhares de vezes comprar um bilhete e a máquina não aceitar o dinheiro, uma senhora que estava perto disse que tinha e que nos podia dar um. Foi muito querido, e salvou-me de levar uma multinha.

Quando chegámos ao Petali, reparámos que as pessoas aqui percebiam inglês, e que por isso percebiam tudo o que dizíamos, o que não era propriamente bom. E o pior é que, apesar de eu e o Agustin conseguirmos comunicar em Portunhol, a Cille aí não perceberia nada, pelo que continuámos pelo Inglês.
Primeiro fomos à Pull, onde eu ia trocar o casaco M que a Cille me comprou, para um S. Até que o senhor da caixa me disse que o meu talão não era daquele casaco, mas sim de um igual mas em bordeaux. Pois é, a Cille enganou-se e provavelmente mandou o certo para o lixo, pelo que vou ter de ficar com o M.
Ainda na Pull fomos escolher umas calças muito italianas para o Agustin experimentar, o que nos fez rir imenso. Aqui ainda comprei 2 pares de collants daqueles mesmo quentes, porque me esqueci que vinha para as montanhas quando fiz a mala.

Entretanto andámos de loja em loja, à procura de jeans para a Cille e para o Agustin. A Cille porque está a caminho dos 10 kg a mais e o botão das calças rebentou, e o Agustin porque a host mom lavou-as da maneira errada e trocou-lhes a cor. E meu numa busca por um piumino (quispo).
Entrámos numa loja que não há em Portugal e tivemos um reecontro maravilhoso. Pois é, é precisamente naquela loja que vendem o vestido que o Agus usou no desfile de moda no campo, e estivemos quase quase para comprá-lo.
Entrámos também na Jack Johnson para comprar umas calças para o raio do Argentino, e fizemos uma bela amizade com o rapaz que trabalhava lá. Dissemos-lhe que o Agustin estava à procura de umas calças tipicamente italianas (obviamente que não estava) e o rapaz trouxe umas mesmo engraçadas, a que o Agustin teve de responder que não fazia o estilo dele.

Pouco depois fartámo-nos da nossa busca e fomos comer. Eu e a Cille bebemos um ice tea e comemos uma fatia de bolo de chocolate, enquanto o Agus bebeu uma coca-cola. Aquilo levou-me à miséria. Eu paguei as 3 bebidas e não ficou a mais nem menos do que 8 euros!

Depois voltámos a visitar umas lojas e eles finalmente conseguiram comprar uns jeans para cada um. Faltava o meu piumino. Entrámos em várias lojas, mas ou eram demasiado parolos, ou custavam 140€. Desisti, e provavelmente compro aqui na Benetton de Castelnovo ne Monti, que são mais baratos.
Voltámos à loja do vestido e eu comprei um camisolão de malha (a minha paixão) branco com "dream" escrito a preto.

Quando as compras estavam feitas fomos apanhar o minibus de novo para a estação. E desta vez nem pagámos a viagem, porque nenhum de nós passou o passe. Encontrámos também a Iris nesse bus, que estava a ir para a aula de violoncelo.
Pouco depois chegámos à estação e a Cille foi-se embora a correr porque o autocarro dela estava lá. Deixámos a Iris na paragem correta e eu e o Agustin fomos para o sítio onde eu apanho o meu, dado que a minha mãe não me deixa ir para lá sozinha. Pois é, porque eu, para apanhar o meu autocarro, passo pelo guetto de Reggio Emilia, pela China Town e ainda por umas banquinhas de marroquinos, só com homens.Se mesmo com o Agustin estávamos com medo, quanto mais sozinha.
Começámos a stressar um bocado quando não víamos o autocarro a chegar, mas em cima da hora lá estava ele e eu fui para a minha terra. Parti às 18h20 e cheguei por volta das 19h40. Dói, eu sei.

Quando cheguei a casa soube que tínhamos um convidado para jantar: Ângelo, o oculista. Não o conhecia, mas foi um enorme prazer. Ele disse-me que tinha feito Erasmus em Lisboa e uma espécie de Erasmus mas mais curto no Brasil, pelo que sabe uma coisa ou outra do português.
Antes de jantarmos lá fez ele uma oração e lá jantámos. O primeiro prato era tipo risotto de abóbora (zucca) e o segundo petiscos como presunto e fritata.
A sobremesa foi gelado com molho de mirtilos, que estava deliciosa. Pouco depois a Anna ligou a pedir para a irmos buscar ao ginásio e lá fui com a minha mãe no carro, ambas de pijama.
Quando voltámos a casa fizemos castanhas, mas aqui eles metem no fogão e sem pinga de sal.

Numa conversa em que contava à Anna que ia para Bruxelas durante uma semana antes de ir para Portugal, ela fez uma mini birra porque queria que eu ficasse aqui. Eu também quero, acredita.

Deixo-vos com uma foto do meu novo camisolão, espero que gostem.
Boa noite, beijo grande

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Porque não?

Olá amigos,
É com alguma tristeza que vejo o numero de visualizações das postagens a diminuir cada vez mais. Isso e também a diminuição de mensagens no facebook a perguntar por novidades. Mas a AFS avisou-me. Já passou um mês e um dia e isto começa a ser uma rotina que já não interessa muito. A verdade é que não vejo nenhum dia meu estabelecido por uma rotina e ainda ando um bocado à toa aqui pelo meio.

Hoje de manhã fui para a escola de gorro, tanto era o frio. A minha primeira aula foi passada a escrever, e nem sei do que era, se de História se de Filosofia.
Depois veio a aula de Ciências e estivemos a dar a constituição do átomo, os vários modelos atómicos e na mesma aula demos as passagens de níveis de energia e fotões. Acho que a este ritmo na próxima aula estamos na Lei de Le Chatelier, não sei é se alguém percebe alguma coisa.
No final da aula de química estivemos a fazer testes de chama com potássio e outros elementos. O Marco perguntou ao professor ajudante o que acontecia se o molhássemos em água e não onde o estávamos a molhar. Mandei-lhe uma mensagem no whatsapp a dizer que explodia, o que lhe interessou imenso. Contou aos colegas do lado e, quando os professores não estavam a olhar, roubaram um bocadinho de potássio. (Obrigada professora Elizabete e experiências do 9ºano!)
Quando saímos do laboratório e fomos para a sala normal, o Alessandro queimou o potássio à espera de ver novamente as chamas coloridas. A verdade é que não houve chama nenhuma e consequentemente não houve potássio para meter em água.
A terceira aula foi de Inglês, e estivemos a fazer exercícios de Listening e passiva.

No intervalo o Matteo e a Niccole chamaram-me para ir com eles à sala do terceiro ano para darmos um livro à irmã da Niccole. Quando entrámos estava toda a gente à volta de uma mesa e a comer. Um rapaz fazia anos e trouxe um bolo para a turma. Pelos vistos isto aqui é muito comum, e isso agrada-me.
No final do intervalo estive a mostrar uns vídeos da reação do potássio com a água (senti-me tão nerd) e eles ficaram fascinados (pelo menos não sou a única).

Depois veio a minha aula preferida da semana toda. Duas horas de artes. A Ines foi chamada no início da aula para ir fazer não sei o quê então o Marco veio para o meu lado.
No primeiro tempo estivemos a ver um powerpoint de fachadas de igrejas italianas e na segunda recomeçámos o desenho. Que voltou a ver maravilhoso. E o problema é que é desenho com mão livre, isto é, sem régua, esquadro e afins. O professor veio reclamar comigo por um erro que tinha feito, acho que foi a nossa maior conversa desde que estou aqui.

Quando a escola acabou a Anna levou-me à paragem onde fui apanhar a coriera para Reggio Emilia. Desta vez não estava cheia e arranjei um lugar sem problemas nenhuns. Passado um pouco reparei que a Giulia da minha turma estava sentada atrás de mim, e estivemos a falar. Não sabíamos que ambas apanhávamos a mesma coriera e então combinámos vir juntas nas próximas vezes.
Quando o condutor voltou para o autocarro eu fui tentar comprar bilhetes. Primeiro começou a reclamar comigo por não ter comprado num café, mas depois veio o segundo condutor que disse que tinha e que me vendia. Mas não tinha troco para uma nota de 20€. Perguntei-lhe o que fazia então e ele começou a falar muita rápido em Italiano e não percebi "un cazzo". Disse que sim, e vim me sentar no meu lugar.
Se fosse apanhada a andar de autocarro sem bilhete acho que apanhava uma multa de 100€, pelo que a Giulia estava super preocupada. Fez uma chamada e depois disse-me que, em Casina (paragem onde ela ia sair), ia estar a prima dela para me dar um bilhete para o resto da viagem. Fiquei mesmo feliz pela atitude dela, foi super amorosa.
Em Casina lá estava a miúda que me deu o bilhete. Peguei nele e passei na máquina, que deu sinal vermelho e fez um barulho de quem dá "erro". Mas ninguém me disse nada. Vim para o meu lugar e sentei-me, sabendo que não tinha passado o bilhete. Vim o caminho todo com imenso medo que me apanhassem, mas não houve qualquer problema.

Quando cheguei a Reggio fui direta para casa da Bárbara, onde estavam os outros a almoçar. O almoço foi muito divertido, como todos os momentos que passo com eles. Estivemos a falar do campo de Cesenatico e a descobrir os podres de cada um, o que provocou imenso riso.
O plano de hoje da aula de Italiano era ver o "Cars 2" que o Agustin trouxe em Italiano, com legendas em Inglês. No entanto acabámos de almoçar eram 15h30 e tivemos de ir embora com o Manumanu24.
Fomos em direção ao centro, onde deixámos o Cedric com o Manu (que é o seu assistente) porque tinham de conversar. Eu, a Serra, a Cille, a Iris e o Agustin fomos arranjar um spot para descansar um bocado. Fomos dar ao Giardini Pubblici onde comemos um Magnum e falámos um bocado.

Pouco depois a minha assistente, a Anita, mandou-me mensagem a dizer que estava perto e para eu ir ter com ela. O Agustin foi-me levar ao sítio onde combinámos, porque ninguém confia em mim sozinha numa cidade.
Enquanto entrávamos em várias joalharias em busca de uma prenda para uma amiga da Anita, falávamos da minha experiência. Falámos do meu campo e da minha relação com a família. Falámos da minha relação com os AFS'ers. E falámos do meu pedido para ficar um ano. Sim, a Intercultura não me deixa ficar aqui um ano e eu ando em depressão por causa disso.
Há, no entanto, a hipótese difícil de ficar aqui sem a organização. Tenho de ver isso muito bem, logo se vê.

Entretanto chegaram as 18h e fomos para o Planet, café onde íamos ter o aperitivo cultural.
Fomos as primeiras a chegar mas pouco depois juntaram-se a nós a Cille, Serra, Iris e Agustin. E depois o local chapter. E outros italianos que foram há alguns anos atrás.
Foi o primeiro aperitivo dos meus amigos, e então tivemos de explicar como funciona. É o mesmo de sempre: compramos uma bebida e podemos comer tudo o que quisermos do buffet.
A Serra aconselhou-nos a beber uma bebida com uma cor meia estranha, todos aceitámos e pedimos essa. Acabámos por não beber nada daquilo, porque sabia a álcool do mais barato. Cinco euros mandados ao ar, ou ao Cedric. Vai dar ao mesmo.

Depois de enfardar imenso no aperitivo e de falar um bocado com os outros chegou a minha hora. Pois é, isto é que é o chato de viver nas montanhas. Tenho de apanhar autocarros de uma hora e que acabam às 19:30h.

Entretanto comprei uma pass de autocarro com 10 viagens, para ver se a situação de hoje não se repete. Foram uns bons 35€ da minha alma deixados lá. Não sei o que se passa com os transportes públicos italianos.

Vim a dormir a viagem toda e quando cheguei a Castelnovo decidi entrar numa outra aventura. Quer dizer, são nove da noite, está tudo escuro e eu não falo muito muito italiano, porque não sair numa paragem que não conheço? Não correu assim tão mal e 15 minutos depois estava em casa, mas houve um ou outro momento em que estive quase a ligar para casa, mas correu tudo bem.
Quando cheguei prometi a mim mesma comer um cacho de uvas e ir para a cama, mas a verdade é que são 23h36 e aqui estou eu. Estive a ajudar a Anna a imprimir umas coisas e agora estive a tentar acabar isto sem adormecer.

Missão comprida. Boa noite!

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Tanti auguri Ari!

Boa noite!
Como vos disse, hoje acordei cedo. Aliás, metam cedo nisso. Acordámos por volta das 6h30 porque a Arianna faz hoje 18 anos e fomos lhe fazer uma surpresa. Vestimo-nos à pressa e, quando saímos de casa, estava um carro à nossa espera. A mãe da Virginia, a Virginia e a Benedetta. Fomos direitas a casa da Ari onde a mãe dela já nos esperava.
Quando entrámos em casa e preparámos as coisas, entrámos no quarto dela com velas nos cupcakes e a cantar "tanti auguri", para a acordar. Ela adorou a surpresa e agradeceu-nos imenso.
Depois de se preparar tomámos o pequeno-almoço em casa dela. E agora digo-vos, os cupcakes estavam deliciosos!

Fomos para a escola a pé e com alguma pressa, porque a Anna e a Virgi tinham "verifica d'Inglese". Eu, por outro lado, tinha duas horas de ginástica mas não fiz aula. Não sei o que se passa comigo, mas estou com uma dor que não é bem dor na barriga. É uma espécie de sensação de vazio que às vezes dói, e não tem um sítio específico.
Fiquei então com a Tamara, a Ines e a Erica sentadas nos colchões, enquanto elas estudavam para a interrogação de italiano. Passei a aula a dormir e só acordei quando ouvi a Erica a dizer que não tinha a certeza se o stor me ia interrogar, porque na semana passada disse que sim.

Depois fomos para a temida aula de Italiano. Tudo nervoso. Ninguém estava preparado. O professor pega no saquinho com os nomes (sim, porque aqui os professores sorteiam quem vai ser interrogado), e dois nomes saem: Tamara e Erald. O resto da turma suspirou de alívio e começaram a fazer as suas coisas. Ao meu lado estudavam qualquer coisa, mas eu dediquei-me a Inglês. Passei a aula então a estudar o Henry VII, o Henry VIII e os seus percalços de vida: a Mary I, a Elizabeth I e o Edward. Pois é, aqui em Itália, para além da gramática, damos Shakespeare e história inglesa.

No intervalo fomos ao piso inferior para comprar muffins que uma turma esteve a vender para ganhar dinheiro para uma viagem a Inglaterra. 0,50€ cada muffin, que sonho.

Depois vieram as duas horas de Filosofia e História, e eu estive completamente a leste nas duas aulas. Acho que a única coisa que ouvi foi que para a semana, na terça feira, temos uma verificazione, mas nem sei de qual das disciplinas.

Quando a escola acabou fui com a Ariana e a Benedetta para o Miramonti, o restaurante onde íamos almoçar para comemorar os anos da Ari. Quando entrei no restaurante admirei-me imenso porque achava que era um almoço de 5/6 pessoas e, quando dei por mim, éramos cerca de 30.
Os primeiros pratos foram ravioli de ervas e de batata. (Pois é, tenho uma novidade! Descobri que o que como em Portugal não é ravioli mas sim tortellini. E eu que dizia que gostava de ravioli!!)
Depois veio lombo de porco e batatas, que quase ninguém comeu por já estar cheio. E ainda veio uma fatia de bolo de anos e um outro doce que não percebi o que era. E depois das sobremesas passou uma garrafa de limoncello, mas eu não provei.
E quando fui pagar até me assustei. Não paguei nada mais, nada menos do que 18 euros. Aliás, até paguei mais, dado que paguei com cartão e assim tenho de pagar uma taxa.

Quando o almoço acabou, eu, a Virgi, a Anna e a Tambu fomos ao Magnani para beber um café e eu aproveitei para levantar dinheiro porque preciso de ir comprar urgentemente um quispo.
Depois voltámos a casa, e eu tinha uma encomenda para mim, mais uma. Dentro estava uma revista com receitas portuguesas, um pacote de toblerone mini, um postal e os meus florais de Bach. E no postal a minha mãe dizia que não só tinha saudades minhas como das minhas amigas, que agora não passam a vida lá em casa.
Fui estudar para a cozinha com a Anna, tentar estudar matemática e desistir e depois fazer os trabalhos de casa de Inglês acerca dos retratos da Queen Elizabeth.

Entretanto começou a entrevista da Margarida Bandeira na SportTV3, e eu não podia perder isso por nada. Quando acabou, fui com a Anna à loja de telefones para carregar o meu e perguntar pelo samsung. A rapariga disse que a mãe tinha ido hoje a milão em trabalho e que amanhã dizia alguma coisa. Da outra vez disse que ia levar 4 dias a dizer o que fazer e entretanto já lá foram 2 semanas.
Às 19h a Anna teve treino de ténis, e eu estive a falar ao telemóvel com a Maria Rebello de Andrade. Ela contou-me (e eu gozei, obviamente) que já se andava a esquecer do português e que já não sabia como escrever "água". A verdade é que eu, ao escrever este post, achava que a palavra portuguesa para "portrait" era "portrato", mas entretanto descobri que essa palavra não existe. Nem semelhante. E que a palavra certa para isso é "retrato".

Entretanto a minha mãe chegou e estive a meter a mesa com ela. Depois a Anna telefonou a pedir para a irem buscar ao ténis e eu fiquei sozinha em casa. E o telefone tocou. Pois é, todos os exchange students percebem o quão difícil é o momento. O mais óbvio é não atender: não é a nossa casa e não ligam para nós. Mas e se é um dos nossos pais que não conseguiu contactar pelo telemóvel? Mas a única maneira de saber é atender. E se não for?
Nunca tinha atendido o telefone de casa desde que cheguei e hoje atendi 3 vezes. Na primeira perguntaram pela minha mãe, disse que não estava, perguntaram quando voltava disse que não sabia e desligaram. A segunda foi a Anna, e eu atendi para lhe dizer que a mãe já tinha saído para a ir buscar. E depois voltou a tocar e eu, a achar que era a Anna, atendi. Mas era um homem a vender qualquer coisa. Disse que os meus pais não estavam em casa e desliguei.

Quando dei por mim sei nada para fazer fui para o sofá e liguei a televisão para ver filmes em italiano com legendas em inglês. Comecei na idade do gelo, mas acabei no Taken 2, que é um dos meus filmes preferidos.

Entretanto fomos jantar. Sopa de cenoura e rosbife de segundo prato. E a sobremesa foi crostata, um bolo italiano.
Hoje falámos mais, foi um jantar agradável.

Depois de comermos fui ajudar a minha mãe a arrumar as coisas e a secar a louça. E estivemos a falar durante o tempo todo. Falámos dos meus avós portugueses, dos holandeses e dos italianos. Se os tinha conhecido ou não. Pois é, no domingo fez um ano que o avô Zé morreu, o tempo passa a correr.
Pedi-lhe também para ir ao Petalli (centro comercial em Reggio Emilia) com os outros AFS'ers, e ela deixou. Fiquei muito feliz, porque é a primeira vez que vou estar com eles sem ser para uma atividade da Intercultura. Mal vejo a hora!

Quando acabámos tudo fui tomar um duche e deprimir, porque estava com esperanças de conseguir trocar o meu programa para um anual e a AFS Itália não me deixa. Que raiva. Não quero deixar isto.

Bem, vou dormir que já é tarde e amanhã é mais um longo dia. Deixo-vos com fotos da surpresa à Arianna.
Boa noite!