segunda-feira, 7 de outubro de 2013

UN MESE!

Olá amigos!!
Faz hoje um mês. É verdade, já deixei Portugal há um mês. Passou tão rápido.
Há exactamente um mês estava eu e a Maria Rebello de Andrade a passear pelo Fraterno Domus, o sítio onde dormimos a nossa primeira noite em Itália. Enquanto andávamos lá pelos jardins, um rapaz veio ter comigo e perguntou "Eva?". Ele explicou-me que era o Arturo Compres Morera, um rapaz da República Dominicana com quem eu tinha falado no facebook por virmos os dois fazer AFS em Itália. Fui então dar um volta com ele e uma amiga e eles foram-me apresentar ao resto do grupo da República Dominicana, que estava todo agarradinho aos telemóveis na zona com wii fii, quais chineses.
Depois deste passeio fui para o quarto que partilhava com a Maria Toscano, a Sofia Lopes e a Maria Rebello de Andrade, onde demos um festão. Demos por nós e já tínhamos imensa gente na nossa varanda. Tugas, Americanos, Australianos, Dinamarqueses..

Hoje de manhã a Anna voltou a acordar mais cedo, porque tinha uma interrogação. Tentei adormecer e que se esquecessem de mim para poder dormir, mas a Anna chamou-me pouco depois do meu despertador tocar.
Quando saímos de casa estava uma chuva impossível e tivemos de levar chapéu de chuva. O bom da chuva é que não está tanto frio, o que é sempre bom.

A minha primeira aula hoje foi Italiano, na qual quase adormeci. Depois de Italiano veio uma hora de Latim, só para me acordar. Depois disto veio uma aula de Física, em que voltámos a fazer 3 exercícios. Andamos há três semanas a fazer exercícios sobre o mesmo assunto. Embora seja uma matéria que me agrada imenso, já cansa um bocadinho.
Nos 20 minutos livres da aula estive a falar com os meus colegas do lado: a Ines, a Nicole, o Marco e o Matteo. Como o Marco vai ao Brasil este Natal esteve-me a pedir para lhe ensinar as coisas básicas em português. Teve imensa piada porque, para além de não conseguirem dizer bem as palavras (ele e a Nicole), tinham conversas do género: "Olá, como está?", "Cabrão! Obrigada por me acolher" e "Filho da puta! Chupão!!" (Volto a pedir desculpa aos mais sensíveis pelos palavrões, mas sou eu.. E como sabem eu não consigo passar muito tempo sem dizer uns tantos!).
Depois veio a aula de Inglês, em que estivemos a fazer revisões. Durante a aula estive a falar com a Ines sobre viagens de estudo e os seus preços. Bem, eles falaram-me de um intercâmbio durante uma semana, em Londres. Vão para casa de uma família inglesa e ficam lá durante uma semana. Mas a minha turma não vai, porque não houve muita adesão. Eles não percebem porquê, acharam-na tão barata!! (Eram só 700€...)

Depois de Inglês veio a aula de Matemática, onde estivemos a estudar mais exponenciais. Espero desta vez perceber alguma coisa!

Quando saímos da escola ainda estava a chover torrencialmente, então viemos rapidamente para casa. Chegadas ao quentinho fomos almoçar. O almoço hoje foi pasta com tomate e carne de segundo prato, mas não comi porque já estava cheia.
Depois do almoço acendemos a lareira porque estava frio. Sim, é início de Outubro e já temos a lareira ligada. E eu já uso cachecol quando saio à rua. E dois pares de meias. E esta semana vou à praia (wtf?).

Passei a tarde no quarto a ver Breaking Bad e estudar Inglês. Sim, eu também estranhei. Foi das primeiras vezes na minha vida que estive a estudar Inglês e percebi que não sei como é que isso se faz. E isso é um problema, dado que tenho teste na quarta-feira e não sei nadinha de tempos verbais.

Hoje faltei ao treino de volley para estudar e porque não me estava a apetecer nada ter de fazer desporto depois de uma tarde a molengar.
Hoje a Anna teve um dia menos bom e, num momento pior, veio ter comigo para um abraço. Soube bem. Óbvio que não a quero ver triste e que isso também me mete triste, mas foi bom ela ter vindo abraçar-me. Acho que foram poucos os abraços que já dei às minhas amigas mais próximas (excepto o pessoal do MOCAMFE, em que são os abraços que fazem mover aquilo tudo), e por isso soube bem abraça-la depois de vivermos juntas há um mês.

O jantar hoje foi sopa e peixe, mesmo à tuga. Ainda não tive a oportunidade de fazer o meu jantar tuga, mas gostava de fazer em breve.

Tenho de comprar urgentemente um quispo, meias grossas e galochas, caso contrário acho que me vou dar mal com este clima.

Deixo aqui uma foto minha com o meu amigo dominicano, o Arturo.
Beijos a todos, espero que esteja tudo óptimo por aí.


domingo, 6 de outubro de 2013

Ring-ding-ding-ding-dingeringeding!

Olá olá!
Hoje acordaram-nos às 11h para irmos para a missa. Mas a Anna, sem vontade de sair da cama, disse que eu estava cheia de dores de cabeça. Voltámos a adormecer e só me acordaram ao 12h, para almoçar.
Vesti-me, lavei os dentes e fui ver televisão, enquanto ainda não era hora de almoçar. Estive a mexer um bocadinho no telemóvel e, quando dei por mim, estava a ver um jogo de futebol com um padre. Sim, outro padre. Hoje vieram almoçar 3 padres cá a casa.

Para além da companhia religiosa tivemos também a companhia da nossa avó, que ajudou a fazer o almoço. Acho que o primeiro prato era risotto com ervilhas e fiambre, mas não estou certa porque não sei se aquilo é realmente risotto. Depois dessa "entrada" veio o prato principal, carne com cogumelos (a carne estava deliciosa, já dos cogumelos não posso dizer a mesma coisa).
Depois de almoçar ficámos um bocadinho à conversa na mesa e depois fomos tratar das nossas coisas.Eu vim escrever o blog de ontem e ver um episódio de breaking bad, enquanto a Anna foi estudar.
Eram seis horas quando me mandou uma mensagem a perguntar se não queria ir ao Magnani (supostamente íamos à missa). Fomos para lá (à chuva) onde nos encontrámos com a Virginia. E com a Ariana, que trabalha lá. Pedimos uma bebida cada uma (e esta vez fui eu que paguei, para não me sentir mal) e lá aproveitámos o apperitivo.

Acabámos por nos desleixar um bocadinho com as horas e só voltámos a casa às dez, sem avisar. Quando chegámos, como estávamos com um bocado de fome, fomos preparar uma piadina para comer.

Estive agora a mostrar o vídeo do "What does the fox says?" à Anna e não conseguimos tirar essa coisa da nossa cabeça, obrigada Cille!
Também estivemos a gozar com a Margarida, que me acabou de enviar uma gravação em que dizia "Olá, eu sou muito bonita e sei falar italiano, yeah".Obrigada pelos risos que nos proporcionaste. E parabéns também pelo teu oitavo lugar na Avalanche, és a maior.

Hoje tinha combinado com o Agustin que ele me vinha visitar a Castelnovo, mas infelizmente sentia-me doente durante o dia e não parava de chover, então desmarquei.

Agora vou ver mais um episódio de Breaking Bad e dormir, que já é meia noite.

Buonanotte!

P.S.: Ontem à noite, quando estávamos no Magnani, vimos um rapaz com calças pretas e camisa preta. Mas em cima da camisa tinha um colete de malha. Violeta. E, para condizer, mais um acessório violeta. Pois é, um chapéu da nike. Acho que ontem mudei de opinião em relação ao estilo dos italianos. E não foi para melhor.

P.P.S: WHAT DOES THE FOX SAY?

6ºC

Olá amigos!
Mais uma semana, mais um sábado, mais um dia sem escrever. Ontem cheguei a casa eram duas e estava mais que morta. Foi outra vez chegar e aterrar, e por isso não consegui escrever.

Anteontem à noite, a Anna disse-me que queria acordar cedo no sábado, porque queria estudar para a interrogação de Italiano. E por isso meteu o despertador para as cinco e meia. Mas, como ela tem o sono pesado e tinha medo de não acordar, meteu uma música toda eletrónica e muito (muito muito) barulhenta. O que aconteceu? Pois, ela não acordou. E tive de ser eu, depois de ver que não ia conseguir continuar a dormir com aquilo, a ir desligar. Isso também foi engraçado, porque o despertador desliga-se ao arrastar o botão e eu estava quase aos murros no telemóvel.
Depois de descobrir como parar aquele barulho infernal, voltei para a cama e adormeci. Mas não por muito tempo, porque 15 minutos depois já ele estava a tocar outra vez.

Entretanto adormeci e só voltei a acordar às 7h, quando o meu despertador tocou. A Anna disse-me que ia faltar à primeira aula, porque tinha de estudar e eu, na esperança que ninguém se lembrasse de mim, virei-me para o lado e continuei a dormir. Mas infelizmente passados 20 minutos a Anna acordou-me, a dizer que eu estava atrasada.
Lá me vesti e comi à pressa e fui sozinha para a escola. Qual escola. Estava eu a 50 metros dela e não a via, tanto era o nevoeiro. Quando estava a ir para lá estavam 6ºC e o céu estava completamente branco. Aliás, parecia uma aldeia com papel de parede branca, porque nem se viam montanhas nem nada.

A minha primeira aula foi Matemática. Duas horas. Teste. Lá fui eu para o teste sem folha de teste nem caneta. Fui falar com a stora, explicar que não tinha aprendido exponenciais em Portugal e que tinha tentado estudar cá em Itália (pela internet e assim), mas que não percebia nada. Mesmo assim fiz o teste, para ver o que saía.
Espero nem ver o resultado. Pelo que a stora estava a dizer durante o teste, acho que aquilo era demasiado básico. Aliás, ela disse que se se tiver negativa é um insulto à nossa inteligência. Ups, eu nem negativa alta tenho. Deixei vários exercícios por fazer e os que fiz piores estão.

Depois dessa aula veio Italiano, para descontrair um bocadinho. E depois de Italiano veio Física. E estava a correr tudo muito bem até que o stor me pergunta se não quero ir ao quadro. Hesitei, mas acabei por dizer que não. Ele disse que me ajudava, para eu tentar. Lá fui eu, cheia de medo. Mas o stor deu-me o exercício mais básico que alguma vez vi. Qualquer pessoa faria aquilo.
Nos vinte minutos restantes de Física, enquanto os meus colegas estavam a estudar para a interrogação de Ciências, eu estive a ensinar a Ines, a Nicole, o Marco e o Matteo a falar português. Ensinei o básico. "Olá", "como estás?", "tudo bem?" e asneiras, que não podiam faltar.

Entretanto chegou a hora de Ciências, que a minha turma temia. No entanto, quando chegámos ao laboratório, a stora disse que não ia fazer interrrogação e estivemos a ver vídeos sei lá de quê. Só me lembro que era sobre plantas, que se enquadra totalmente na matéria de química.
Mas quando acabaram os vídeos, a stora chamou a Sara e começou a interrogá-la. Bah, também não foi nada de especial. Pediu-lhe para ir à tabela periódica e dizer onde estava a divisão entre os metálicos e não metálicos (aii, que dificil! nem estava na legenda nem nada) e para escrever "CaO" e dizer se era um elemento e por quantos átomos era formado, entre outros.

Quando acabou a escola viemos para casa almoçar. Pasta no forno outra vez, estou cada vez mais apaixonada. Depois do almoço eu e a Anna fomos fazer biscoitos portugueses, outra vez. Mas desta vez desistimos dos biscoitos de manteiga e fomos pesquisar outra coisa à Internet. Acabámos por fazer "Areias", que saíram deliciosas.

Entretanto comecei-me a sentir muito cansada e com os músculos a doer, então fui descansar para o quarto, enquanto ela estudava. Estive a cuscar um bocadinho do facebook e a ver "Breaking Bad", dado que lá fora estava a chover a potes.
Depois a Anna disse-me que íamos jantar a casa da Benedetta, pelo que desistimos do jantar português. Às oito e meia saímos de casa e estava a Lucia à nossa porta, de carro, para nos levar. Lá fomos para o palácio da Benny para jantar. Estava a contar com um jantar com cerca de 10 pessoas ou assim, mas dei por mim numa mesa com a Benny, a Anna, a Lucia e o irmão da Benny, o Lollo. Mal cheguei o Lollo perguntou-me, com a sua cara mais fofa, "Olá, como estás?".
Comemos pizza e a sobremesa foram os nossos biscoitos. O irmão da Benny estava sempre a correr de um lado para o outro e super enérgico, mas pareceu-me um amor.

Depois do jantar, ficámos por casa até estar na hora do Lollo dormir. Elas estiveram a jogar bilhar e eu estive a cuscar a lista de músicas da Benny, para meter. Por acaso gostei imenso da escolha, fez-me ver que somos muito parecidas pelo menos em música. E, no meio de Calvin Harris, Rihannas, Eddie Veders, Nirvanas e tantos outros, encontrei Buraka Som Sistema. Porquê?

Quando já estava na hora, voltámos a Castelnovo ne Monti e fomos para o Magnani, onde nos encontrámos com a outra Benedetta. Estivemos lá a noite toda, a falar com várias pessoas. Entretanto aquilo começou a morrer um bocadinho e fomos tentar um karaoke ao Seven, mas acabámos por desistir. Enquanto estávamos à porta deste bar tivemos a belíssima oportunidade de ouvir o "Ai se eu te pego", que fez com que os Italianos ficassem loucos. Vi várias pessoas a dançar, e pelos vistos eles continuam a gostar da música. Estive a traduzir a letra, porque eles dizem que não percebem nada do que ele diz.

Entretanto voltámos para o Magnani onde eu também estive a ensinar mais umas palavrinhas em português, mas desta vez a outro grupo.
Chegámos a casa uma hora mais tarde do que devíamos, mas não houve problema. O resto já sabem, foi chegar e aterrar.

Beijo e até logo!

P.S.: Quando eu digo que em Portugal estão 25ºC fica tudo exaltado, a dizer que quer ir para lá. Sim, em relação ao tempo também prefiro Portugal, é verdade.








~


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Universo paralelo

Olá a todos,
mais uma sexta feira que tenho de ir cedo para a cama, dado que amanhã é sábado e tenho aulas. Acho que é a única coisa a que nunca me vou habituar aqui em Itália. Mas o Tio Chico fez-me ver o lado bom: quando chegar a Portugal vou ter o sábado só para mim, sem escola, e vou valorizá-lo muito mais.

Hoje voltámos a chegar a horas, estou super orgulhosa de nós. Comecei o dia com Física, e voltámos a fazer quatro exercícios e acabou a aula, ficamos todos à conversa na sala. Depois de Física veio a aula de Latim, em que o stor esteve a ler poesia latina. Obviamente que não percebi nadinha, parecia alguém a ler as fachadas das igrejas antigas.
Depois de Latim foi a aula de Religião, em que a stora esteve a falar do naufrágio que houve aqui em Itália e que morreram mais de 100 pessoas. Aí também só falam disso no telejornal, não? No entanto eu não estive a ouvir porque comecei a escrever o meu diário mais privado da minha estadia aqui em Itália, ou como a Ana Francisca disse "Losing Eva in the dark side of Italy", aquelas coisas que mais ninguém pode ler!

Depois de Religião tivemos aula de Ciências, e estivemos a falar de pontos de fusão e ebulição. E a meio da aula a senhora professora decidiu avisar que amanhã vai fazer avaliação oral a alguns alunos, mesmo sabendo que temos teste de matemática! Tenho sorte que acho que já me safei desse, porque não consigo responder coisas científicas em Italiano!

A seguir veio a aula de Inglês, e estivemos a dar mais gramática. Não fazemos nada para além disso. Tenho um palpite do porquê. Dado que a stora não fala NADA bem em Inglês, não deve querer falar muito. E gramática sempre dá para explicar em Italiano, agora ler textos e assim é em Inglês. E falar Inglês não é com ela. Tal como vestir-se bem.

Quando acabou a escola fomos para casa, para almoçar. Hoje o almoço foi pasta com cogumelos (óbvio que só comi a pasta. No outro dia provei cogumelos só para não dizer que não gostava sem lhes ter mostrado que provei e acho que não há coisa que odeie mais que isso. Isso e ovos. E marisco. E sushi. E enchidos. E queijo. Sim, sou um bocadinho esquisita.

Depois de almoço a Anna e a mãe foram para Reggio tratar de uns assuntos e eu fui estudar para o meu quarto. Sim, porque amanhã tenho dois testes e não sei nada de nada de matemática, que é o mais importante. Para ciências não estou preocupada porque não me deve perguntar e, se o fizer, consigo lembrar-me das coisas porque já dei várias vezes em Portugal. Mas Matemática é exponenciais, e eu ainda não me entendi com elas. Acerto todas as que encontro na net em sites portugueses, mas as do meu livro vai lá vai.

Passei a tarde no quarto a ouvir música, estudar e ver um episódio de Breaking Bad na pausa. Mas às 18h00 tive de sair do meu ninho porque tenho treino às sextas às 18h30. Fui para lá a pé neste gelo (sim, é Outubro e aqui estão 11ºC durante o dia) e começou o treino. No aquecimento do meu treino de volley estivemos cerca de 5 minutos a driblar uma bola e correr. Sim, no treino de volley. A driblar uma bola. Não me perguntem porquê.
Hoje só fomos 7 ao treino então esteve um ambiente mais descontraído e até o treinador jogou connosco.

No caminho para casa (a minha treinadora trouxe-me), sugeri-lhe que se inscrevessem no Summer Cup. Era tão bom ter uma visita das miúdas do volley em Julho! Ela gostou muito da ideia e pediu-me para lhe enviar as informações.
Quando cheguei, os meus irmãos não estavam porque tinham ido ao encontro de jovens da paróquia. Eu era para ir, mas estava muito cansada e tenho de estudar, então fiquei em casa e jantei sozinha.

O Agustin (AFS'er da Argentina) disse-me agora que vem a Castelnovo no Domingo para ter comigo. Queria levá-lo à Pietra di Bismantova, mas com o nevoeiro que está não se vê nada. Aliás, mesmo na vila não se conseguem ver as montanhas em volta, vemos tudo branco. E Domingo vai chover, não sei o que vamos fazer.

Querem saber outra coisa? Castelnovo ne Monti é um universo paralelo de Portugal. Já encontrei tantas versões italianas de pessoas daí. Na minha primeira saída à noite ao Sábado conheci o Tio Chico italiano. Depois cruzei-me com o Marçal versão azeiteiro (não que tu também não sejas, mas ele é um pouco mais). Já vi a minha prima Martinha, estou na turma de um rapaz que é uma mistura do Francisco Branquinho e do João Pedro Serra. Na minha equipa de volley tenho uma réplica da Beatriz Bica e uma meia Anita Soares. É giro, agora ando à procura de mais sósias!Ahhh, e a minha mãe italiana, que é a sósia da minha mãe portuguesa!

Bem, hoje escrevi o blog mais cedo porque tenho de ir estudar para amanhã. É difícil, acreditem. E pior do que ter aulas aos sábados é ter testes nos mesmos. Vou ver se aguento.

Boa noite!

P.S.: Mandei um mail à minha tutora para deixar de ter disciplinas que não me interessam, como Latim, Filosofia, Arte e Religião. Espero que isto signifique que posso dormir mais umas horas, mas só sei isso para a semana que é quando saem os horários definitivos.



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Unicórnio

Olá pessoal, que tal?

Hoje de manhã quando acordámos eu fui logo ao computador porque me avisaram que tinha feito erros lamentáveis no post de ontem e fui logo alterá-los. Entretanto a Anna veio-me dizer que estávamos com pressa, que não era para estar no computador. No entanto, foi dos dias em que chegámos mais cedo, e a horas.

A primeira aula de hoje foi matemática, e estivemos a fazer revisões para o teste de sábado. Era suposto eu ter ido falar com a stora no final da aula (ou no início ou no final, e escolhi no final) mas esqueci-me completamente que aqui são os professores que trocam, isto é, não houve nenhum momento em que eu tivesse oportunidade de falar com ela. Bem, então não lhe consegui dizer que não tinha dado exponenciais em Portugal, e que queria fazer o teste só para ver o que conseguia fazer. Vou ver se a encontro amanhã na escola.

Depois de matemática tive duas horas com o mesmo professor, uma de latim e outra de italiano. Na de latim estivemos a aula toda a analisar uma frase e ver onde estava o verbo e em que tempo, na de italiano não faço a mínima ideia, não me lembro mesmo. Nem me lembro de como passei essas duas horas, provavelmente no telemóvel. Ah, sim! Estava no facebook e recebi uma notificação do Marco, e mandei-lhe algo como "Estás numa aula, ouve o professor" e estivemos a falar um bocado sobre música, porque ele não pára de cantar a "True love" da P!nk. Na semana passada era a "Safe & Sound" e na outra a "Thrift shop", por isso nem sei qual é a pior.

No intervalo de 15 minutos (único em que se sai da sala) o Marco convidou-me para ir com ele e conhecer os amigos dele, mas como estava frio e eu estou relativamente mal da tosse, fiquei na sala com o Matteo, a Tamara e a Nicole. E entretanto veio o resto da turma. Estive-lhes a contar a história do pai da Constança, que eles adoraram. Então, os pais da Constança vieram a Itália e, num restaurante, o empregado perguntou como estava a comida. O pai da Constança disse que estava óptimo e o empregado perguntou como se dizia em português, ao que o pai da Constança responde "Está tudo fodido!" (volto a pedir desculpa pelo palavrão). Entretanto o empregado sempre que passava repetia "Está tudo fodido!", a sorrir. Imaginem como será a próxima vez que um português for lá comer.

Acabou o intervalo e começou o inferno, uma hora de filosofia e outra de história. Mal o stor entrou os meus colegas perguntaram "Duas horas a dormir, não é?". Já me conhecem, estes italianos. Mas entretanto a Ines foi-se embora porque estava meia adoentada, e eu sentei-me ao lado da Nicole. Não passei a aula a dormir, mas a falar com ela por bilhetinhos. Falámos de tudo, de como me sinto aqui, do que gostamos de fazer, que música ouvimos e que género de series vemos. Para além disso, trocámos alguns nomes de bandas. Eu recomendei-lhe Alt-J, Ornatos, Supernada e os Flying Cages e ela recomendou-me umas bandas italianas.
O professor, a meio da aula, desistiu de dar a aula e passou o resto a falar de Naruto, manga e jogos de computador, que pelos vistos são a paixão dele.

Entretanto a aula acabou e fomos para casa. O almoço hoje foi massa à bolonhesa de entrada e peixe com batatas. Depois do almoço vim descansar um bocado para o quarto. Hoje passei a tarde no quarto, a estudar exponenciais, dado que tenho teste e não percebo nadinha disto. A meio da tarde veio cá a casa o meu tio, que eu ainda não conhecia. Foi muito simpático para mim e estava muito interessado na minha experiência. Estivemos a comer os biscoitos de ontem, mas saíram um bocado mal.

Antes de jantar falei um bocado com as AFS'ers de Reggio Emilia que me disseram que compraram um casaco igual, mas de cores diferentes. A Cille também comprou para mim, dá-mo na quarta!
Falei também com a Renata, uma voluntária da AFS Portugal que esteve comigo no campo de seleção e que está agora a fazer Erasmus em Florença, que me disse que agora também é voluntária da AFS Itália e convidou-me a mim e à minha host sister para ir lá dormir uma noite, que maravilha!

Ao jantar comemos sopa e depois batatas no forno com ovo (para mim batatas com uma fatia de fiambre). Falei da ida a Florença, e eles gostaram da ideia. Até disseram que me levavam lá!

Depois de jantar eu e a Anna fomos fazer um passeio por Castelnovo, mas como estava muito frio voltámos rapidamente. E agora já estou na cama, ver se hoje adormeço mais cedo. Estou agora a fazer um skype para matar umas saudades e já vou dormir.


Querem saber uma curiosidade? Ontem na aula de Italiano (não na escola, a outra), a minha professora disse-me que já foi a Coimbra. E sabem porquê? Porque trabalhava numa associação para pessoas com deficiência e foi a a Coimbra visitar uma. Perguntei-lhe se tinha sido mesmo em Coimbra ou numa terra perto, e ela disse que sim, que não tinha sido mesmo na cidade. Perguntei-lhe se não terá sido na ARCIL, e ela disse que acha que sim, mas que não tem a certeza porque já foi há uns bons anos.
Conclusão, aqui em Reggio ninguém conhece Coimbra (só 1 pessoa com quem falei) e a minha professora de Italiano foi a Portugal para ir à Lousã!!!

Vá, vou tentar dormir.
Beijo para todos, boa noite!

P.S.: Quando acordei reparei que tinha sido picada por uma melga na testa. Sim, vocês estão certos, andei o dia todo com um corno, daí o título do post de hoje.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

"Non lo so dove sono"

Ciao!!!
Como estão? Hoje o meu dia foi enooorme, mas voltei a adorar.
Hoje de manhã acordámos para ir para a escola mas, como estávamos atrasadas, fomos de boleia com o nosso pai. A minha primeira aula foi Filosofia e não faço a mínima ideia do que estivemos a falar, embora estivesse a tentar ouvir.
Depois desta aula, tivemos ciências. Este ano em ciências só damos química, então não é grande problema para mim. Hoje demos as passagens dos estados físicos (é verdade...) e os métodos de separação de misturas, enquanto observávamos uma destilação. Nesta aula sentei-me ao lado da Giulia, com quem nunca falei muito. Ela foi impecável comigo e disse que, sempre que precisasse, podia falar com ela.
Depois da aula de scienze tive aula de inglês, ao lado da Ines. Nesta aula estivemos a fazer mais exercícios de tempos e modos verbais (ainda não fizemos outra coisa desde que começou o ano lectivo).
Depois de inglês veio o massacre, duas horas de arte. Sorte a nossa quando o professor entrou na sala com uma televisão. 5, 10 minutos a ajustar a televisão, desliga os cabos e tira a televisão de lá. Passam-se mais 5 minutos e ele entra com uma ainda maior. (Estávamos à espera que ele também a tirasse e voltasse com uma ainda maior, mas isso não aconteceu.)
Nesta aula o Marco senta-se sempre ao meu lado, então desta vez trouxe uma mesa e uma cadeira e juntou-se a nós. Depois do stor introduzir um bocado sobre restauro de quadros, começou a passar o filme. E, para minha sorte, sentou-se atrás de mim. Perfeito, deu para dormir durante uma bela hora e meia. O Marco disse que acordei várias vezes como se tivesse apanhado um susto, e que o tinha assustado a ele. Disse-me também que foi a primeira vez que esteve ao lado de alguém a dormir durante uma aula. Quer dizer, comem, saem e mandam mensagens. Mas dormir que é bom, nada?
No final dessa aula estive também a "parlare italiano" com o Marco, em bilhetinhos. Estive a praticar a escrita e é bom porque ele corrige todos os erros que faço. Entretanto ele saiu da sala durante um bocado e, quando voltou, ofereceu-me um cartão para usar na fotocopiadora cá da escola. Parece muito dispensável e sem valor, mas aqui dá imenso jeito ter um cartão destes, ainda mais com 125 fotocópias incluídas. Obrigada Marco! (Também lhe ensinei o significado de "obrigada").

Quando o dia de escola acabou fui ter com a Anna, que me ia deixar na paragem de autocarros. Sim, porque hoje foi o primeiro dia em que tive de ir sozinha para Reggio, para a minha aula de italiano. No caminho para lá, a Anna lembrou-se que tinha deixado o meu passe em casa, e que não fazia ideia de como usar aqueles autocarros. No meio da confusão ela e a Ariana disseram-me para entrar no autocarro sem bilhete porque eles nunca controlam e, se controlassem, para dizer "Eu não falo italiano, cabrão de merda" (peço desculpa pelo palavreado). Obviamente que lhe disse que não fazia isso, então lá comprei um bilhete ao senhor, deixando com ele 6€ da minha alma para um bilhete só de ida. "Vá, pelo menos durmo uma hora.", ai dormes, dormes. Vais é a primeira meia hora em pé num autocarro cheio de adolescentes que moram nas terras vizinhas a castelnovo, que gritam em vez de falar e por uma estrada às curvas. E enjoa um bocadinho, por favor.
Fiquei incrivelmente chocada com a má educação de algumas pessoas porque, enquanto havia duas ou três senhoras de idade a viajar em pé como eu, os adolescentes sentados não fizeram nada de nada para alterar isso. Para além disso, quando o autocarro começou a esvaziar, os adolescentes que tinham lugares sentados usavam o lugar ao seu lado para os pés ou para a mochila, mas nunca para outras pessoas.
Como estava a ver que ia passar uma hora sem fazer nada de produtivo, liguei à Maria Toscano e estivemos a partilhar um bocado das nossas experiências.

Quando cheguei a Reggio, sentei-me num banquinho num jardim e comecei a almoçar uma sandes que preparámos em casa. Mas antes liguei à Bárbara (voluntária que nos anda a dar aulas de italiano) a dizer que já tinha chegado e que ia ter a casa dela. Pá, a verdade é que enquanto andava, mais desconhecia a rua. Até que me perdi. Sim, devia ter estado com atenção enquanto a Anita me ensinava o caminho, mas estava a falar com o Cedric e não dei muita importância. "Vá, não há problema, ligo aos AFS'ers de Reggio que almoçaram juntos e eles vêm-me buscar." Lá lhes ligo e, no meio de uma risota, disseram que já estavam a caminho. Entretanto voltei para a rua principal, em frente ao hospital, para ter alguma referência. Já tinham passado cerca de 15 minutos quando a Bárbara me liga, meia preocupada meia zangada, a perguntar onde estava. Disse-lhe que estava em frente ao hospital à espera dos outros estrangeiros. Até que ela começa a mandar vir comigo porque eu lhe tinha dito que ia ter a casa dela e que já estávamos atrasados. A verdade é que nunca lhe disse a que horas ia ter a casa dela, e a aula estava marcada para as três. Entretanto disse-lhe também que estava meia perdida e, que se os AFS'ers não me viessem buscar, não conseguia ir lá ter. Lá veio ela de bicicleta para me indicar o caminho. Explicou-me o caminho e voltou para a casa de bicicleta, mais rápido que eu, para estar em casa caso os outros chegassem.
Aproveitei que desta vez sabia o caminho para fazer um filmezinho dele, para quando voltar a precisar. Mas a parte mais engraçada do vídeo já nem é o motivo dele, mas sim a chegada de um grupo de 5 rapazes de 13-15 anos (1 mais à frente que os outros) de bicicleta, que começou a falar comigo.
-"Voglio parlare con te" (Quero falar contigo);
-"Io non parlo italiano" (Eu não falo Italiano);
-"Non, non credo" (Não, não acredito);
-"I swear, I'm not Italian and I don't speak Italian" (Acho que não precisava de tradução, mas aqui vai: Juro, não sou italiana e não falo italiano);
-"Ahh, parlate inglese? Bene, anch'io!" (ahh, falas inglês? Boa, eu também);
desta vez eu não falei, limitei-me a continuar a andar,
-"What's your name?" (Como te chamas?);
-"Look, I'm in a hurry and I have to go. I'm late for school, bye" (Olha, estou com imensa pressa e tenho de ir. Estou atrasada para a escola, adeus)
Isto tudo enquanto eu continuava a andar para casa de Bárbara, e eles a acompanharem-me de bicicleta.

Quando cheguei ao destino já la estava a Iris, que tinha chegado à uma e meia. Entretanto chegou a Cille, a Serra, o Cedric e o Agustin que, mal me viram, começaram a gozar comigo por me ter perdido.
Na aula não fizemos nada de específico, estivemos foi a falar sobre as nossas host countries, as pessoas e a crise, em Italiano. Durante esta conversa descobrimos que a Cille, da Dinamarca, não sabe onde é Portugal. E, quando eu lhe disse que brasileiro era português, ela respondeu-me "Sim, claro, como espanhol é dinamarquês". Auch. Descobrimos também, pela Iris, que os habitantes de Honk Kong não gostam de chineses.
Durante a aula eu e o Cedric estivemos a observar o Agustin, que parecia um autentico autista. Passou uns cinco minutos da aula agarrado às pernas e a balançar, o que lhe deu tal alcunha. Depois disso olhámos para ele e estava, com cara de parvo, a dar chapadas a si próprio. Eu e o Cedric não nos controlámos e tivemos o maior ataque de riso desde que cheguei aqui a Itália. Aquele em que fico 10 minutos com a cara de um vermelho forte, vocês sabem. Felizmente não fui a única porque o Cedric, também sendo nórdico como eu (Sim, acho que devo agradecer esta minha característica às minhas raízes holandesas), ficou igualmente vermelho.

Depois da aula quis ir dar uma volta com os AFS'ers, porque como eles são todos da cidade estão sempre juntos e eu não, porque vivo nas montanhas a uma hora de distância. Enquanto estava com eles liga-me a minha mãe a perguntar onde estava e em que autocarro ia, e depois a minha irmã. E depois outra vez a minha mãe, e a minha irmã. E depois de casa. Pela entoação percebi que não estavam muito contentes comigo porque tinha de apanhar o autocarro numa paragem que não conhecia dado que me tinha afastado da que usei para vir. E disseram vezes sem conta que era muito melhor voltar ao hospital. Mas a pé já não dava tempo. Eram 17:40h e o autocarro era às 18:06h, e o caminho ainda demorava. "Ok, apanho na tal estação que não conheço, não pode correr muito mal." Até que o Agustin aponta para trás de mim e diz que o autocarro que ele costuma apanhar para ir para casa estava a chegar, e que parava no hospital. "A sério? Mas também não chegamos a este a tempo..". Não não chegamos. O Agustin pega nas coisas dele e desata a correr, e eu sigo-o. Entrámos no autocarro e ele confirmou com o motorista que parava no Hospital. Enquanto descansávamos um pouco neste autocarro olhei para o telemóvel e tinha chamadas e mensagens do Cedric. Ligo-lhe e ele só me diz "Não vais conseguir, quando chegares lá o teu autocarro já foi". Eu concordava com ele mas olhei para a cara do Agustin, super calmo, e disse-lhe que íamos conseguir. Até que começamos a ficar parados num vermelho, e noutro. E o tempo passa. E aí o Agustin também conheça a ficar nervoso. Entretanto liga-me a minha mãe para saber o que se passa. Digo-lhe que estou num autocarro a caminho do Hospital, onde apanho a carreira para a minha terra. Acho que ela ficou super preocupada porque pensava que eu estava sozinha, e teve-me a explicar que o sítio onde este parava não era o mesmo de onde o outro saía, que nem era a mesma rua. Disse que sabia e que o Agustin estava comigo, e ela relaxou um bocado. Entretanto chegámos ao destino final deste primeiro autocarro, e tínhamos cerca de 5 minutos para ir ter à estação do outro. Voltámos a correr imenso, e lá chegámos. A verdade é que o autocarro não era às 18h06, mas sim às 18h11, então lá ainda estivemos à espera do autocarro.
Agradeci imenso ao Agustin, porque se ele não tivesse comigo eu não teria conseguido fazer isto, obviamente.

Entretanto chega o autocarro e lá vou eu. Mas desta vez com mais de metade do autocarro vazio. E os lugares ocupados eram velhos. Agora é que me soube a Lousã. Aquelas quartas-feiras quando eu tinha de correr depois da explicação em Coimbra para apanhar o autocarro para a Lousã. E a viagem foi exatamente igual a uma dessas. Cheia de montanhas, cheia de curvas. Aproveitei a viagem para ligar à minha conselheira e contar a história, ao que ela respondeu que não devia estar com medo que a minha família estivesse chateada, porque provavelmente só estariam preocupados. Também me contou que para a semana, antes de ir para o campo no Cesenático, devo ir dormir uma noite a casa dela. A ideia agradou-me imenso, gosto da companhia dela.
Tivemos também a nossa primeira conversa em Italiano, e ela ficou muito contente por mim.

Entretanto cheguei a casa, sã e salva, e fui tomar um duche. Mas antes, quando cheguei ao quarto, encontrei a segunda encomenda de Portugal. Shampoo, cortisona, botas e a minha roupinha. Obrigada! Depois do duche fui jantar só com os meus pais, porque a Anna estava no ginásio. O jantar foi bife com batatas, e estava delicioso. Quando acabámos de comer, a Anna chegou e fomos estudar um bocado de matemática, mas desistimos facilmente. E começámos a fazer biscoitos de manteiga, com uma receita portuguesa. Para mim estão demasiado doces, mas ela diz que estão pouco doces. A verdade é que nenhuma de nós gosta muito, não saíram bem.

Combinámos agora um pacto. Nenhuma de nós pode falar Inglês. Se ela fala, mando-lhe uma chamada, e comigo a mesma coisa. Mal vejo a hora para falar Italiano à vontade!

Quero mandar um beijinho muito grande à Filipa que faz anos hoje e deve ser um dos primeiros anos (desde há uns anos para cá) em que não vou estar com ela neste dia. Quero também mandar um beijinho de parabéns à Maria Miguel Cardantas e à minha avó. Tanti auguri!

Beijo a todos, Eva





terça-feira, 1 de outubro de 2013

"Dov'è lo zucchero?"

Olá a todos!
Hoje acho que foi um dos meus dias preferidos desde que cheguei a Itália. Depois da depressão de ontem e de conversas com várias pessoas sobre o mau dia de ontem, arranjei coragem e mudei o rumo à coisa. Quero muito agradecer às pessoas que me mandaram mensagens a dar conselhos, ou a partilhar as suas experiências e como ultrapassaram, ou simplesmente a desejar boa sorte. Quero em especial agradecer ao Francisco Soares que me disse que ficando em casa isto não ia mudar de certeza, à Madalena que me falou dos maus momentos que passou e ao McCord que me disse uma coisa que me ficou muito na cabeça "quanto mais pensares assim mais reais se tornam as coisas...", depois de me ter dito que tinha saudades minhas e que odiava saber que eu estava a passar por isto. Para além disso recordou-me de um momento do campo de Caturras em que a Francisca estava com soluços e parecia um sapo, momento que prometemos recordar sempre que nos sentíssemos em baixo, porque nos mete sempre felizes.

Assim, quando acordei, decidi que hoje era o dia em que ia começar a falar italiano, independentemente dos erros que desse. E assim foi, logo de manhã mandei umas frases em italiano para o ar.
Na aula de educação física uma professora que nos andou a perguntar os nomes perguntou-me se eu era uma aluna nova, porque nunca me tinha visto. Até que lhe expliquei que era de Portugal e que estava aqui durante 3 meses por causa da Intercultura, e ela ficou toda contente. Até disse que queria falar comigo mais tarde sobre Portugal, e tudo em italiano.
Na aula fizemos primeiro um teste motor mas desta vez para os braços. Consistia em atirar uma bola pesada e ver até onde ia. Voltei a ter a pior nota das raparigas, desta vez um 7+. Acho que atirei 5,28m, o que eu achava ser bom até ver o resultado das outras.
Depois de todos os alunos estarem avaliados fomos jogar volley, e fiquei muito feliz porque a Eli (outra colega minha com quem nunca tinha falado muito mas vejo sempre nas festas religiosas e missas) disse que queria ficar comigo. Depois fizemos duas equipas para jogar volley e voltei a não ser a última a ser escolhida, o que sabe bem quando estamos numa turma completamente diferente. Depois dos jogos todos ganhos (acho eu), acabou a aula. E depois de Educação Física veio Italiano, e não faço a mínima ideia do que estivemos a falar a aula toda.
Depois de italiano veio o intervalo de 15 min e o Matteo disse-me para o passar com eles, o que foi muito simpático. Depois dos 15 minutos de descanso tivemos 2 horas com o mesmo professor, uma de história e outra de filosofia. A verdade é que não ouvi nem uma nem a outra, mas passei a aula a falar por bilhetinhos (em italiano!!) com a Ines. Disse-lhe também que à tarde às vezes sinto-me sozinha porque não tenho nada para fazer, e ela disse que quando combinarem manda-me mensagem. Espero que assim mude, Pedro Machado!

Depois da aula fui para casa com a Anna para almoçar, e tínhamos combinado fazer biscoitos de manteiga portugueses depois do almoço. Mas quando cheguei ao quarto tinha lá uma encomenda de Portugal. Uma caixinha cheia de biscoitos feitos pela Manuela, deliciosos. E com os biscoitos vinha um postal. Escrito pela minha mãe e pelo Hugo. É bom ler as coisas que a minha mãe portuguesa me escreve, agora do meu irmão já não posso dizer a mesma coisa: "Olá Eva, dá um beijo à Anna. Xau".
A latinha onde estavam os biscoitos também tem uma história engraçada que passo a explicar. Há quatro anos eu e a minha família portuguesa acolhemos uma alemã durante um ano, a Annika. Durante a estadia dela, a tia enviou-lhe esta caixinha cheia de biscoitos. Entretanto a Annika voltou e a caixa ficou connosco. Agora que estou eu a viver fora a minha mãe enviou-me a caixinha cheia de biscoitos, e com a intenção de ficar aqui em Itália. Quando a Anna foi viver para outro país a ideia é a mãe mandar-lhe também esta caixinha, outra vez cheia de biscoitos, e assim sucessivamente. Mas por enquanto a caixa fica por aqui. E dá um ar tão confortável à cozinha. Faz-me sentir em casa.

Como a minha mãe está doente, quando chegámos a casa o almoço não estava feito, então fizemos nós pasta com um molho de tomate e carne picada. Depois de almoço, enquanto a Anna fez a sesta, fiquei aqui um bocadinho no facebook. E, quando ela decidiu ir estudar, eu decidi ir dar uma volta sozinha por Castelnovo ne Monti, para conhecer melhor. Descobri sítios ainda mais bonitos do que os que já tinha visto, e mais ruas tipicamente italianas. Voltei a apaixonar-me pela vila. Soube tão bem andar aqui perdida que nem uma chinesa com uma máquina fotográfica na mão.
Depois de passear um bocado fui ao supermercado para comprar os ingredientes para os biscoitos de manteiga que adiámos para quinta e umas caloriazinhas para mim. Mas, já que não me perdi em Castelnovo, tive de me perder no supermercado. Não que fosse muito grande, mas a distribuição dos produtos era super estranha. E, vendo que não ia encontrar o açúcar por mim própria, decidi ir perguntar a uma senhora idosa que andava por lá a fazer as compras. Também não fui muito inteligente, porque fui logo escolher uma pessoa mais velha e com maior probabilidade de ser surda ou meia surda. E não é que me calhou o Jackpot. Ou a mulher era meia surda ou o meu italiano é mesmo muito mau, porque enquanto eu lhe estava a perguntar "Dov'è lo zucchero?" (Onde está o açúcar?), ela respondia-me que se estava à procura de um homem chamado Luca ela não me podia ajudar, porque não sabia quem era.
Entretanto decidi ir perguntar a outras senhoras, que entenderam logo à primeira e me encaminharam para o corredor correcto. Tendo tudo o que precisava para os biscoitos, decidi também comprar coisas que contribuam para a minha engorda, e a minha lista acabou por ser: uma coca-cola, um pacote de bolachas com chocolate para levar para a escola, um pacote de mikado (bolachas/pão em palito molhado em chocolate) e, para equilibrar um bocado, uma barra de Lindt. Sim, porque aqui vendem barras de Lindt, que são mil vezes mais baratas do que os Lindt normais e têm exatamente o mesmo sabor.

Compras pagas, saí do supermercado e fui-me sentar junto a uma fonte onde estive a lanchar. Quando voltei a casa voltei um bocado para o computador, mas entretanto a Anna perguntou-me se não queria meter o meu Android para arranjar. Fomos ao Magnani para ela beber um café e depois fomos para a loja de telemóveis. Mandei o telemóvel para lá mas, como não tenho a garantia aqui, o arranjo vai ser pago. Se o arranjo for menos de 40€ eles fazem e eu tenho de pagar, se for mais, eles ligam daqui a 4 dias a perguntar se quero seguir com o arranjo ou não.
Na volta para casa a Anna disse-me que estava a falar italiano muito bem, e perguntou-me desde quando é que eu sabia falar. Também não sei quando aprendi, mas foi hoje que arranjei coragem para deitar todas as frases que andava a construir cá para fora.
Antes de irmos para casa fizemos um curto desvio e a Anna foi-me mostrar um sítio lindo, no cimo de um monte, que é uma homenagem às pessoas que morreram na segunda guerra mundial. Contou-me também uma história incrível da nossa avó. Quando tinha 17 anos, foi apanhada pelos alemães a levar leite para os refugiados. No entanto, disse que não era verdade e que ia levar para uma família italiana, enquanto os alemães lhe apontavam uma arma, prontos a matá-la. Levaram-na com eles e foram fazer uma visita à tal família que supostamente ia receber o leite. Mas a família, mesmo não sabendo que tinha sido uma desculpa inventada pela avó para não ser morta, quando questionada sobre a legitimidade do que a minha avó disse, confirmou. Os alemães deixaram-nos e a família salvou assim a vida à minha avó. Agradeço a essa família. Caso contrário toda a história teria mudado e a família Goldoni onde vivo agora não existiria.

Quando cheguei a casa falei com uma colega no facebook que me disse que tínhamos interrogação oral de italiano na segunda e teste de inglês na quarta, ups. Não sabia de nenhuma das coisas, mas parece-me que não tenho de responder à interrogação oral sobre a divina comédia e a literatura italiana.
Antes de jantar veio cá a casa uma tia, a irmã da minha mãe. Ainda não a tinha conhecido, e foi bom conhecer mais um membro desta enorme família.
À hora de jantar tivemos um convidado que veio substituir a minha mãe que ficou no sofá porque estava com febre, o Padre. E como tínhamos um Padre à mesa, deram graças antes de comer. Acho que foi das primeiras vezes em que não me senti mal enquanto toda a gente rezava menos eu. O Padre foi muito simpático para mim e mostrou-se muito interessado em saber o que eu andava a fazer por cá e o que estava a achar. Durante o jantar conseguimos estabelecer uma conversa e foi toda em italiano.
Hoje o jantar foi uma sopa de legumes e massa do almoço mas no formo e com molho de bechamel.

Depois do jantar veio outra visita, o nosso primo médico. Veio para visitar a minha mãe, mas também aproveitou para me ver. Infelizmente ambos achamos que isto já não é pitiriase, mas sim psoriase. Mais um grande dor de cabeça. No entanto ele disse para esperar uma semana e ver, porque nessa altura o que for pitiriase já deve ter desaparecido.

Depois de termos ajudado a arrumar tudo na cozinha eu e a Anna decidimos ir dar uma volta por perto de casa. Foi muito divertido e rimo-nos imenso, foi dos melhores momentos que passei com ela. Combinámos também que a partir de amanhã, sempre que eu falar inglês para ela, ela tem o direito de me dar uma chapada. Como é óbvio ela ficou muito entusiasmada com a ideia, eu também ficaria.

Amanhã vou direta da escola para Reggio Emilia, onde tenho aula de italiano. É a primeira vez que apanho o autocarro sozinha, desejem-me sorte. Já tivemos a preparar a minha bucha para comer na viagem. Não faltam os biscoitinhos portugueses, como é óbvio.

Beijinhos grandes das montanhas italianas, espero que por aí esteja tudo bem!